26.2.09

Os três tempos de jogo

Site da Fundação Astrojildo Pereira, 26/02/2009, e jornal Terceiro Tempo, 16 a 31/03/2009 - edição 403:

Os três tempos de jogo

ANDREI BASTOS

Apesar do enorme progresso que alcançamos em todas as áreas do conhecimento humano, ainda vivemos equivocados a respeito de nós mesmos, de nossas possibilidades e de nossos direitos. A ideia de que o jogo da vida só é jogado no segundo dos três tempos de que ele se compõe – infância, maturidade e velhice – é o maior obstáculo para a completa efetivação desse progresso.

O equívoco começa no entendimento de que a capacidade de produção econômica do indivíduo é a medida da sua inclusão social. Tal compreensão, resultado de todo o processo histórico anterior aos nossos dias, que sempre afirmou as relações de produção como síntese da existência sobre o planeta, não resiste aos argumentos apresentados hoje pelos movimentos de direitos civis e de direitos humanos.

Assim como as lutas das mulheres e dos negros pelos seus direitos e emancipação os tiraram da condição de meros espectadores ou coadjuvantes da História, os movimentos pelos direitos e inclusão social de crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e muitos outros, de segmentos minoritários, trouxeram todos os excluídos para o enredo principal, como protagonistas nos três atos que totalizam a vida humana.

Muitos já compreendem claramente o mais evidente resultado desse processo de inclusão ampla, geral e irrestrita, que é a afirmação da indivisibilidade dos direitos humanos, que devem existir em conjunto e se inter-relacionando. Dessa maneira, e levando-se em conta que o ser humano é sujeito de direitos durante toda a sua existência, porque não apreendemos e praticamos a vida na sua integralidade?

Não o fazemos por puro preconceito! Um preconceito formado no obscurantismo de um passado em que não existia a expectativa de vida saudável que temos hoje, em que foi urdido o critério de que valemos pelo que temos e não pelo que somos, em que a beleza e o amor perderam o mistério da subjetividade e ganharam os contornos frios dos bens de consumo. Perdemos muito com isso e continuaremos a perder se não abrirmos os olhos para a extraordinária riqueza da diversidade humana.

Mas, pior do que apenas perder o que de melhor a vida pode oferecer, é não conseguirmos superar a crise global que vivemos porque estamos obliterados por ideias superadas e que têm aplicações restritas, insuficientes diante da amplitude dos problemas. Este é o melhor momento para procurarmos enxergar a realidade com o olhar inovador que a apreensão da vida em sua totalidade possibilita.

Este também é o melhor momento para afirmarmos a capacidade realizadora dos jogadores do terceiro tempo do jogo da vida. E o primeiro lance é a demonstração de que a experiência, associada a um ponto de vista distanciado, pode fazer com que a bola balance a rede das adversidades, marcando gols de placa.

É sempre bom lembrar que Cervantes terminou Dom Quixote aos 68 anos, Freud escreveu e descobriu coisas da mente até quase 83, quando morreu, e Rui Barbosa escreveu aos 72 anos sua “Oração aos Moços”.

Do profeta de Lenin: “Eu avisei”

O Estado de S. Paulo, 26/02/2009:

Do profeta de Lenin: “Eu avisei”

Kyle Crichton
The New York Times

Teoria dos ciclos de depressão capitalista, do economista russo Kondratieff, volta à discussão

Nikolai Kondratieff não foi exatamente um burocrata sem rosto na Rússia pós-revolucionária. Ele ocupou um importante cargo econômico no último e efêmero governo de Alexander Kerensky, antes de os bolchevistas tomarem o poder. Depois, ele fundou uma influente organização de pesquisa, o Instituto da Conjuntura, e se tornou um importante teórico da Nova Política Econômica de Lenin.

Mas ele há muito teria sido atirado à lata de lixo da história, não fosse por sua curiosa paixão acadêmica, que desenvolveu numa série de livros e estudos ao longo dos anos 1920. Revendo a história econômica desde fins do século 18, Kondratieff chegou a uma conclusão espantosa, fatídica: que as economias capitalistas estavam fadadas a experimentar ciclos regulares e previsíveis de cerca de 50 anos, culminando inevitavelmente em depressão.

Apesar de ter se tornado um comunista comprometido e autor de uma teoria de colapsos capitalistas inevitáveis, Kondratieff foi executado em 1938, vítima dos expurgos stalinistas.

Aparentemente, ele havia levantado questionamentos sérios ao recém-descoberto entusiasmo do governo por indústria pesada e coletivos agrícolas. Após passar oito anos no Gulag, ele deixou uma derradeira carta à sua filha, instando-a de maneira comovente a ser “uma garota boa e inteligente” e “não se esquecer de mim”. Foi um epitáfio adequado, pois sempre que Kondratieff parece prestes a ser esquecido, a economia mergulha de bico. E, de novo, talvez o mais sombrio dos praticantes da ciência está de volta às novas, que seus discípulos tentam encaixar nos ciclos, ou “ondas de Kondratieff”.

Kondratieff e seus discípulos – entre os quais Joseph Schumpeter, que escreveu sobre a “destruição criativa” do capitalismo – identificaram quatro estágios em cada ciclo, correspondendo às estações do ano. Após arrancar na fase da primavera, a economia atravessa todo o verão, experimenta uma queda assustadora quando surge o outono, e aí – apesar dos Tarp’s, Talf’s e o que mais os governos fizerem – mergulha num inverno que pode durar até 20 anos. Caso vocês não tenham notado, está ficando bem friozinho ultimamente.

Ao longo dos anos, o apelo de Kondratieff esfriou e desapareceu em contraponto com a economia e ressurgiu em tempos ruins. Mas sua teoria nunca foi aceita pelos economistas dominantes, que a consideram uma sala de espelhos misteriosa em que qualquer tipo de padrão pode ser discernido mudando-se datas de início e definições.

Os adeptos de Kondratieff já gritaram depressão antes, por exemplo, em 1982. Reportando sobre o burburinho que a teoria estava provocando durante aquela retração, o correspondente do New York Times, Paul Lewis, escreveu: “Segundo a análise de Kondratieff, o mundo foi apanhado na quarta grande retração econômica desde os anos 1790, um período de recessão global que provavelmente durará até perto do fim do século, quando uma nova era de prosperidade começará – e há pouco que se possa fazer”.

Hoje, os poucos discípulos de Kondratieff estão igualmente certos de que os maus tempos começaram em 2000, com o crash do mercado acionário. Esse foi sucedido pelo outono da era Bush, caracterizada por uma enorme expansão de dívida e alavancagem, na tentativa de manter a prosperidade dos anos de primavera e verão.

Evidentemente, as ondas tendem a ficar ao critério de cada um e o valor que possam ter é mais descritivo que preditivo. Afinal, a economia americana tirou de letra ultimamente várias quedas de mercado, como a de 2000, permitindo que os 25 anos que se seguiram a 1982 fossem de crescimento em grande parte contínuo. Mas na última década desse período, o crescimento dos Estados Unidos foi impelido pelo endividamento, numa tentativa desesperada de manter um nível insustentável de consumo, um estágio que a teoria de Kondratieff descreve com grande precisão.

“As pessoas que fazem as previsões geralmente não são determinantes na discussão da economia”, disse David Colander, um historiador econômico do Middlebury College e especialista em teóricos excêntricos. Mas economias “têm essa tendência a exceder” que Kondratieff e outros agarraram, acrescentou, e isso em grande parte se perdeu na moderna teoria econômica.

Ele oferece a Escola Austríaca como uma possível rival da linha de pensamento de Kondratieff. Os austríacos tendem a enfatizar a atitude de laissez faire e empreendedorismo (não é a mais popular das políticas neste momento) e limites rígidos ao crescimento da oferta monetária, usualmente atrelando a moeda ao padrão ouro.

Embora considerada fora das correntes dominantes, a Escola Austríaca é bem mais respeitável, contando com dois ganhadores do prêmio Nobel: Friedrich A. von Hayek e James M. Buchanan. Peter Schiff, da Euro Pacific Capital – um consultor do candidato presidencial libertário Ron Paul e um dos mais destacados profetas do Apocalipse do atual colapso – também assina embaixo de suas teorias.

Já se disse que Hayek previu com sucesso a Grande Depressão e alguns devotos da Escola Austríaca estão recebendo o crédito por haver previsto a atual. “O derretimento financeiro que os economistas da Escola Austríaca previam chegou”, escreveu Paul, em setembro, 11 dias depois de o Lehman Brothers pedir concordata.

Nos anos 1930, John Maynard Keynes substituiu Hayek e a Escola Austríaca na popularidade intelectual, estabelecendo sua “teoria geral” como a bíblia econômica das décadas do pós-guerra.

A linha austríaca de pensamento teve uma espécie de retorno nos anos Reagan, mas nunca ganhou muita aceitação, diz Colander. “Provavelmente deveria”, acrescenta: “Uma boa profissão devia levar seus intrusos mais a sério. Eles nos fazem olhar as coisas de maneiras diferentes. A pior coisa para formuladores de política econômica é eles pensarem que estão certos”.

25.2.09

Chamaram a polícia

O Globo, Ancelmo Gois, 25/02/2009:

Chamaram a polícia

A PM foi chamada para ir amanhã a Furnas, no Rio, onde uma assembleia deve trocar a direção do fundo Real Grandeza.

Mas a PM não investigará a denúncia de que a troca é mais uma ação do PMDB para pôr a mão no bolso do contribuinte. Furnas chamou a polícia, temendo manifestações. Ah, bom!

***

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23.2.09

Alô Lula! Alô Dilma!

O Globo, Ancelmo Gois, 23/02/2009:

Alô Lula! Alô Dilma!

Pelo que se depreende dos protestos dos funcionários, há uma suspeita de assalto aos cofres públicos marcado para quinta, às 14h, na sede de Furnas, em Botafogo, Rio.

O governo não pode se calar. Ou aciona a 10ª Delegacia de Polícia, que fica perto da estatal, ou sai em defesa da honradez desta operação de troca de comando no Fundo Real Grandeza.

22.2.09

Em Furnas, o Carnaval começa na quinta

Folha de S. Paulo, 22/02/2009:

ELIO GASPARI

Em Furnas, o Carnaval começa na quinta

No lusco-fusco da festa, querem alcançar a caixa dos aposentados da Fundação Real Grandeza

NOSSO GUIA, com sua trajetória de sindicalista; a ministra Dilma Rousseff, com seu currículo no setor de energia; e o senador Jarbas Vasconcelos, com as credenciais de caçador de malandros, deveriam marcar um encontro para as 14h de quinta-feira na sede da Fundação Real Grandeza, no Rio de Janeiro. A essa hora começará a reunião do Conselho Deliberativo do fundo de pensão dos trabalhadores das Centrais Elétricas de Furnas, destinada a destituir seu presidente, Sérgio Wilson, e o diretor de investimentos, Ricardo Nogueira.

Com um capital de R$ 6,3 bilhões, 12.500 associados, 6.500 aposentados e pensionistas, a Real Grandeza administra o ervanário dos trabalhadores da estatal que gera 10% da energia elétrica do país. As artes de Asmodeu entregaram esse gigante a donatários do PMDB do Rio.

Pelo menos um de seus presidentes, o arquiteto Luiz Paulo Conde, teve sua indicação publicamente assumida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A degola dos dois administradores do fundo disparou uma mobilização inédita no sindicalismo brasileiro. Os funcionários de Furnas pararam seu escritório central na segunda-feira e ameaçam ir à greve, sem reivindicar coisa alguma. Querem apenas proteger o patrimônio de suas aposentadorias. Entregue a administrações ruinosas, a Real Grandeza passou por diversas caixas do “mensalão” e perdeu R$ 153 milhões no Banco Santos. Um de seus gerentes de análises de investimentos tinha a proteção de Delúbio Soares. A canibalização fez com que o fundo fechasse suas contas com um superávit de míseros R$ 2 milhões. (A atual diretoria encerrou 2008 com R$ 1,2 bilhão.)

O caso da Real Grandeza desceu dos céus como resposta àqueles que criticaram o senador Jarbas Vasconcelos por falta de “especificidade”. Se os dois administradores praticaram atos impróprios, nada melhor do que expô-los à luz do Sol. No entanto, são acusados de mau relacionamento com a diretoria de Furnas. (Falta definir “bom relacionamento”.) Eles só podem ser demitidos pelo Conselho Deliberativo, composto por seis titulares. Três são indicados por Furnas e pela Eletronuclear. Os demais são eleitos pelos funcionários e pelos aposentados. Cada titular tem um suplente. O golpe já foi a voto no ano passado e perdeu de 6 a 0. Logo depois apareceu uma oferta: os aposentados levavam a presidência da fundação, mas entregavam a diretoria de investimentos (logo ela). Foi rebarbada.

Desde janeiro de 2008, quando começaram as pressões pela degola dos dois servidores, renunciaram 6 dos 7 titulares e suplentes indicados por Furnas. Três nas últimas semanas.

Na caça aos dois administradores há um aspecto curioso. Eles têm mandato até outubro deste ano. Para que a pressa? Mais: por que a reunião do conselho foi marcada para logo depois do Carnaval?

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21.2.09

No mais

O Globo, Ancelmo Gois, 21/02/2009:

No mais

A atitude do governo Lula diante da crise nas empresas brasileiras, que, após a marolinha, demitem em massa, lembra muito uma máxima de Neném Prancha, filósofo do futebol.

Para o Planalto, quando o país crescia, o mérito era do governo. Agora que o desemprego chega, a culpa é das empresas.

Aliás…

Isto remete a um técnico citado por Neném Prancha, que dizia a seus jogadores:

- Eu ganhei, nós empatamos, vocês perderam.

Basta de folia com o dinheiro público

Revista Veja, Edição 2101, 25/02/2009:

Brasil
Basta de folia com o dinheiro público

A entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, recebida com silêncio pelo PMDB, entrará para a história como um marco na luta contra a corrupção. Ele deu as coordenadas desse bom combate.

Otávio Cabral e Diego Escosteguy

Da extensa lista das peculiaridades brasileiras, três itens se destacam: o samba, a jabuticaba e o PMDB. México e Argentina, para ficar em alguns exemplos, já penaram sob partidos tão fortes quanto corruptos, mas a agremiação nacional, a maior do país, é um caso à parte. Seu amor pelo dinheiro público – o nosso dinheiro, para ser mais exato – é tão grande, tão magnético, tão irresistível que o PMDB abdicou de almejar a Presidência da República, a aspiração suprema de qualquer partido político, para vender seu apoio a outras siglas e, assim, continuar a fazer negócios nos ministérios e demais repartições federais. Seja no plano federal, estadual ou municipal, o objetivo principal do PMDB tornou-se o mesmo: cair na folia com o dinheiro público, como se ele crescesse em jabuticabeiras.

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19.2.09

Senta Que Eu Empurro, no blog Mão na Roda

O Globo Online, blog Mão na Roda, 19/02/2009:

Dicas para o carnaval e como entrar de graça no sambódromo

O carnaval está chegando e trouxemos algumas dicas para vocês. Vale a pena ler até o final!

A primeira delas, dada pelo jornalista e blogueiro Andrei Bastos, é o bloco Senta Que Eu Empurro. Sai do Catete amanhã e, segundo Andrei, “vai mostrar que tem samba no pé, nas muletas e nas cadeiras de rodas”. Hehehe, gostei! Quem quiser ver fotos do bloco no carnaval do ano passado, clica aqui!

Dia 20 – 6ª Feira – 18:30h
Senta Que Eu Empurro
Concentração em frente ao número 26 da Rua Artur Bernardes, no Catete.

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Bloco Gargalhada,
Senta Que Eu Empurro, no Globo

17.2.09

Só é preciso pensar diferente

Jornal Cidade da Barra, Opinião, 17/02/2009:

Só é preciso pensar diferente

ANDREI BASTOS

A Barra da Tijuca ainda é um bairro jovem, com maioria da população igualmente jovem. Foi o traço de um urbanista brilhante que desenhou sua estrutura sobre os areais e lagoas e furou rochas e montanhas. A Barra tem muito a crescer e pouco a aprender. Só precisa aproveitar bem as condições criadas por Lúcio Costa.

Há 30 anos, quando me tornei seu morador, o BarraShopping não existia e a pergunta “Afinal, de quem é a calçada?”, que virou manchete do jornal Cidade da Barra, não faria sentido porque quase não existiam calçadas. Eu tinha 27 anos e me sentia praticamente um desbravador diante das dunas de areia branca que dominavam grande parte da paisagem. Lamento até hoje ter mudado para Botafogo porque minha mulher não aprendeu a dirigir.

Eu sei que se naquele tempo, e mesmo antes, quando o traço do urbanista só existia no papel, fosse conhecido o conceito de acessibilidade, a pergunta que virou manchete também não faria sentido atualmente, não apenas porque a acessibilidade estaria incorporada às construções, mas principalmente porque teria se convertido numa componente da nossa cultura e hoje desconheceríamos problemas como o da pergunta.

Acontece que tal conceito, resultante da luta pela emancipação das pessoas com deficiência, que no Brasil tem mais ou menos 30 anos de efetividade, foi entendido de maneira profunda há pouco tempo, sendo explicitado com clareza apenas no texto da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, assinado em Nova Iorque (EUA) em 2007.

Nosso país ratificou a Convenção da ONU com equivalência de Emenda Constitucional em 2008, como resultado de uma mobilização sem precedentes das pessoas com deficiência brasileiras, e agora não podemos alegar desconhecimento para não cuidarmos das calçadas e de todas as construções.

Mas o desconhecimento não era causado só pela inexistência de uma luta e de um conceito. Na verdade, ele tem origem em nossas raízes culturais primordiais, que nos fazem negar condições diferentes das que consideramos ideais para nós. É por isso que achamos que determinadas coisas só acontecem com os outros, como envelhecer ou ficar deficiente.

Aos 27 anos, eu não poderia imaginar que amputaria uma perna aos 53 e me tornaria uma pessoa com deficiência. Da mesma forma, ninguém poderia imaginar que a tecnologia, a medicina e a ciência realizariam tantas conquistas para aumentar a expectativa de vida de todas as pessoas e a autonomia dos deficientes. O que falta? Consertar calçadas?

Não, infelizmente. Mas os moradores e construtores da Barra precisam apenas começar a pensar diferente. Ou seja: precisam abrir os olhos para a diversidade humana, que se compõe também de pessoas com deficiência, e incorporar a acessibilidade ao projeto, seja de calçada, condomínio ou centro comercial. Quando isto acontece, não existe custo adicional e evita-se a reforma, hoje obrigatória e às vezes cara.

Por ainda ser um bairro com muito espaço para se acomodar, a Barra não terá dificuldade em resolver problemas de acessibilidade, seguindo sua vocação urbanística de um futuro mais digno para todos, particularmente para seus jovens moradores que, faço votos, um dia serão seus moradores idosos.

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Clique aqui e veja também no blog do Cidade da Barra.

Bloco Gargalhada

SAMBA QUE SURDO OUVE

As pessoas com necessidades especiais são tão especiais quanto aqueles que não têm necessidades especiais e no carnaval nos oferecem exemplos surpreendentes de superação e força de vontade!

Uma galera surda prova isso ao cair no samba no Bloco Gargalhada, desfilando na ala Traduz Que Eu Te Escuto, da qual participam cerca de 50 surdos. As “gargalhetes” (equivalentes às rainhas) também são duas drags queens com surdez total que sambam muito!

Há 3 anos, um intérprete de Libras traduz tudo o que é dito e cantado para os surdos que participam do bloco. Com essa iniciativa inédita no carnaval, até surdo “ouve” o samba do Bloco Gargalhada e ninguém fica de fora e por fora.

O bloco vai desfilar no sábado, dia 21, pela Avenida 28 de Setembro, a partir das 12h. Com concentração às 10h na Associação Atlética Vila Isabel.

Yolanda Braconnot
Presidente do Bloco
2264-3566/ 9979-9397/ 8208-7573
www.blocogargalhada.com

16.2.09

Sai, PMDB

O Globo Online, Ancelmo.com, 16/02/2009, 11h13m:

CONTRA OS POLÍTICOS
Sai, PMDB

Cerca de 500 pessoas aglomeram-se, neste momento, em frente à sede de Furnas, em Botafogo, no Rio. São funcionários da estatal e do Real Grandeza, o fundo de pensão da empresa.

O protesto é contra a entrega do fundo à administração do PMDB - especialmente após a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, sobre corrupção no partido.

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15.2.09

O PMDB é corrupto

Revista Veja, Edição 2100, 18/02/2009:

Entrevista: Jarbas Vasconcelos
O PMDB é corrupto

Senador peemedebista diz que a maioria dos integrantes do seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso

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14.2.09

Sob Cabral, empresa multiplica os contratos com o governo do Rio

Folha de S. Paulo, 14/02/2009:

Sob Cabral, empresa multiplica os contratos com o governo do Rio
Estado alega que fez pregões; contratos somaram R$ 66,9 milhões em 2008

DA SUCURSAL DO RIO

O governo do Rio comprou a maioria dos equipamentos de informática do Estado em 2008 da empresa do sócio do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jorge Picciani (PMDB), aliado do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB).

A Investiplan, de Paulo Trindade, conseguiu multiplicar os contratos após a eleição de Cabral. Em 2006, os contratos do governo com a empresa somavam R$ 11,3 milhões. Um ano depois, os valores multiplicaram em mais de seis vezes, chegando a R$ 73,5 milhões. Em 2008, foram R$ 66,9 milhões.

Trindade passou a negociar gado com Picciani a partir de 2005. Desde então, os dois já compraram bois em condomínio, organizaram leilões e comercializaram gado entre si. O caso foi revelado anteontem pelo jornal “O Globo”.

O governo do Estado afirmou que os contratos foram celebrados em pregões eletrônicos, nos quais as empresas que disputam a licitação só são identificadas após a definição do preço. Picciani afirmou que nunca influenciou nas compras do Estado. A Investiplan disse que “nunca precisou de influência política para vencer licitações”.

Além da escalada dos valores dos contratos, a Investiplan conseguiu no ano passado um “monopólio” no pagamento por parte do governo do Estado na rubrica “equipamento para processamento de dados”. De acordo com dados da Secretaria da Fazenda, 93,9% dos valores efetivamente pagos pelo governo foram para a empresa.

Trindade e Picciani são amigos há 15 anos, segundo o deputado, mas só em 2005 eles fecharam o primeiro negócio. Desde então, participaram juntos de ao menos cinco transações de gado (seja como sócios ou venda entre si). A maior operação ocorreu em 2006, quando Trindade pagou R$ 1,04 milhão por 50% do clone da vaca mais premiada da Fazenda Monte Verde, de Picciani.

“Sou pecuarista há 25 anos e reconhecido no setor como um dos maiores formadores e fornecedores de genética do país, tendo contribuído ao longo desses anos para a melhoria da qualidade do plantel do Brasil, que ocupa hoje a condição de maior exportador de carne do mundo”, afirmou o deputado.

Cabral defendeu os contratos: “O pregão eletrônico é transparente, todos podem participar. É um formato que permite o acompanhamento online. Empresas de todo o Brasil podem participar. Se essa empresa oferece o melhor preço, qual é o problema?”

A Investiplan afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que nunca participou “de licitação que tenha sido revogada por qualquer órgão fiscalizador de contas públicas”. “Temos tamanho e credibilidade junto a fornecedores e a instituições financeiras para disputar com os menores preços”, afirma a nota da empresa.

O deputado Comte Bittencourt fez uma representação no Ministério Público sobre a compra de 31 mil laptops por R$ 58 milhões. Ele afirmou ter estranhado a compra, feita em dezembro, ter sido entregue e paga no período de um mês.

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Senta Que Eu Empurro, no Globo

O Globo, No Embalo/Cesar Tartaglia, 14/02/2009:

CONFETES

DEFICIENTES: O bloco Senta Que Eu Empurro, integrado por pessoas com deficiência, desfila dia 20 no Catete.

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Carnaval 2009 - Pessoa com Deficiência,
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12.2.09

Criado centro de capacitação para pessoas com deficiência

Site Em Dia Com A Cidadania, 12/02/2009:

CRIADO CENTRO DE CAPACITAÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Instituto Aprender cria centro de capacitação para portadores de deficiência

por Reseller Web

Primeira turma está em treinamento e é formada por 20 portadores de deficiência, que serão alocados no mercado de trabalho

O Instituto Aprender, organização sem fins lucrativos voltada à formação e à inserção de profissionais de TI no mercado de trabalho, cria o seu Centro de Capacitação para Pessoas com Deficiencia. A iniciativa vai ao encontro do Programa Social dos Direitos de Cidadania para Pessoas com Deficiência, do governo federal.

O foco da iniciativa são pessoas com qualquer tipo de deficiência - seja ela física, visual ou auditiva - que impeça o trabalho produtivo. E, para participar, os interessados passam por um processo de recrutamento e seleção. Selecionado para o treinamento técnico e assertivo, o candidato é encaminhado ao mercado.

Segundo Enilson Pestana, diretor de marketing do Instituto Aprender, a formação da primeira turma teve início em janeiro, com 20 portadores de deficiência. Os participantes passam por treinamento em desenvolvimento de software na linguagem Java e já foram contratados pela TCS (Tata Consultancy Services), parceira da entidade nessa iniciativa.

Os custos do programa, que envolve recrutamento, seleção, treinamento, certificação e acompanhamento do profissional, são subsiados pelas empresas e, para o candidado, não há custos.

O governo federal destinou um orçamento de R$ 2,4 bilhões ao Programa Social dos Direitos de Cidadania para Pessoas com Deficiência, para até 2010. A ação vai ao encontro da necessidade das corporações de se adequarem à Lei de Cotas.

Mais informações sobre o Centro de Capacitação podem ser obtidos pelo e-mail info@institutoaprender.org.br.

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Unicef convida comunidades pobres para a Plataforma de Centros Urbanos

Site Em Dia Com A Cidadania, 12/02/2009:

UNICEF CONVIDA COMUNIDADES POBRES PARA A PLATAFORMA DE CENTROS URBANOS

A UNICEF está convidando todas as comunidades das cidades do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Itaquaquecetuba para participar da Plataforma dos Centros Urbanos. Cada comunidade que desejar terá que formar um Grupo Articulador, que deverá se inscrever formalmente na Plataforma e se comprometer a participar ativamente da iniciativa por um período de três anos (2009 a 2011).

Começam nesta segunda-feira, 16 de fevereiro, as inscrições das comunidades populares dos municípios de Itaquaquecetuba, São Paulo e Rio de Janeiro na Plataforma dos Centros Urbanos. Os inscritos receberão acompanhamento e apoio técnico do UNICEF e seus parceiros por um período de três anos, para que possam ajudar a melhorar as condições de vida de suas crianças e seus adolescentes.

Os Grupos Articuladores têm a função de organizar as atividades da Plataforma dos Centros Urbanos nas suas comunidades. São eles que fazem as coisas acontecerem, com a ajuda de todas as pessoas que conseguirem mobilizar e com o apoio do UNICEF e de seus parceiros.

São formados por representantes de organizações sociais, meios de comunicação comunitária, conselhos, centros de saúde, escolas, creches, órgãos públicos, redes, movimentos ou grupos não-formais que atuam na comunidade e que estão comprometidos com a garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Os Grupos devem ser compostos por, no mínimo, oito integrantes, incluindo representantes de:

* duas organizações sociais ou dois grupos locais (associações comunitárias, núcleos socioeducativos, centros sociais, creches, grupos de mães, grupos culturais ou esportivos, movimentos de mulheres, movimentos negros ou indígenas, etc.);
* duas instituições do poder público (coordenações regionais, escolas, unidades de saúde, entre outros);
* dois grupos de adolescentes (movimentos culturais, organizações religiosas, grupos que trabalham com comunicação, etc.);
* dois grupos ou duas organizações de livre escolha da comunidade.

(Saiba mais)

PT reivindicará mandato de Jorge Babu

O Globo, 12/02/2009:

PT reivindicará mandato de Jorge Babu
Diretório nacional do partido confirma expulsão de deputado

O secretário de relações internacionais do PT e membro da Comissão Executiva Nacional Valter Pomar disse ontem que, após a expulsão do deputado Jorge Babu, o próximo passo é reivindicar na Justiça Eleitoral o mandato do parlamentar, para que seja cumprido pelo próximo nome da coligação. A liderança estadual do PT explicou que o nome dependerá do entendimento do Tribunal Regional Eleitoral, que decidirá se a vaga pertence ao PT ou ao primeiro suplente da coligação.

- Não há mais como o deputado recorrer da decisão. Foi enviada uma correspondência para formalizar a expulsão. Em paralelo, outro comunicado será entregue à Justiça Eleitoral - disse Pomar.

A expulsão de Babu foi confirmada anteontem pelo diretório nacional do PT, como informou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Babu foi acusado pelo Ministério Público de envolvimento com milícias na Zona Oeste. A assessoria de Babu disse que ele não foi informado oficialmente sobre a expulsão. Ainda segundo a assessoria, após receber o documento, ele tentará recorrer da decisão.

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MP denuncia Jorge Babu,
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Andef na mira do Ministério Público do Trabalho

O Globo, 12/02/2009:

Andef na mira do Ministério Público do Trabalho
Associação é acusada de explorar mão-de-obra de deficientes

A 25 Vara da Justiça do Trabalho vai julgar, dia 3 de março, uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef). No processo, a associação é acusada de intermediar irregularmente mão-de-obra de 630 portadores de deficiências, sobretudo para órgãos públicos. Presidida pela ex-deputada estadual Tânia Rodrigues, a Andef tem convênios com a Assembléia Legislativa (Alerj) e com diversos órgãos do governo estadual. O MPT quer que a associação seja obrigada a suspender esse tipo de contratação e condenada a pagar R$ 3 milhões por danos coletivos. A Andef nega irregularidades nos convênios.

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Lula faz campanha. Para quem e quando?

MILTON COELHO DA GRAÇA

O presidente Lula fez um extraordinário comício para 5 mil prefeitos, os governantes executivos mais próximos dos 100 milhões de eleitores brasileiros, e que influenciam a maioria dos 52 mil vereadores (cuja maioria influencia uma percentagem significava desse mesmo público-alvo). Dilma a seu lado, como gerente do PAC – síntese e vitrina do trabalho de oito anos, promessa para mais quatro. Quatro mesmo? Ou só dois? Ou oito?

O presidente ainda não confirmou ser Dilma a candidata por ele apoiada para a eleição de 2010. Mas ninguém tem dúvida de que a está indicando como sucessora. Isso deixa uma dúvida: para a eleição do ano que vem ou para depois que a crise econômica global for superada?

Emílio Odebrecht teve oportunidade de conversar muitas horas com Lula, durante a viagem à Bolívia em que o Brasil reforçou laços e compromissos com o país vizinho enquanto Odebrecht consolidava seu projeto de produzir na boca dos poços de gás um poderoso complexo petroquímico, futuro fornecedor a quatro ou cinco países sul-americanos.

O empresário mostrou, após a visita, não ter a menor dúvida de que Lula seria o timoneiro mais capacitado para conduzir o país diante das marolas e tsunâmis da crise global. O entusiasmo levou-o até a pronunciar a expressão “terceiro mandato”, no momento rigorosamente proibida de ser pronunciada ou escrita nos corredores do poder.

O PT traça curvas e retas sobre as pesquisas DataFolha. E diagnostica: a queda nos índices de José Serra e a subida nos índices de Dilma são irreversíveis, indicam vitória certa da chefe da Casa Civil em outubro de 2010. Mas há muitos sinais vindos do universo político e econômico, que perturbam esse quadro aparentemente tão bem delineado.

Não só Odebrecht teme sacudidas indesejadas provocadas pela crise no ambiente social e institucional do país. Todos os grandes grupos industriais consideram que o Governo está agindo muito bem, através de sua maioria no Congresso, bem como do Banco Central, BNDES, bancos oficiais etc. no enfrentamento da crise. Nossos bancos privados não vivem nem uma fração dos problemas em outros países – desenvolvidos ou emergentes. Por que arriscar qualquer rasura nesse quadro?

Na política a candidata Dilma Roussef até agora não conseguiu obter dos outros partidos governistas o mesmo entusiasmo do PT. PMDB, bloquinho e suas dissidências, PP, PR etc. E, se a crise apertar, acho que haveria algum tipo de apelo por alguém confiável para a maioria do povo – 84%, por exemplo, seria um bom índice – uma versão moderna, mais abrangente e mais competente na comunicação social do que o queremismo de Getúlio Vargas.

Um ambiente tão tranqüilo que alguém, alegando interpretar o sentimento nacional majoritário, proponha, por exemplo, a realização das eleições nacional e estaduais em conjunto com as municipais em 2012. Ou em 2014. Delírio? É possível mas a crise estimula a imaginação.

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“Ensinar é aprender duas vezes”
Joseph Joubert (1754-1824), ensaísta francês

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CABEÇA DE OBAMA É PROTECIONISTA

Neill Fergusson, autor de “Ascent of money” (“Ascensão do dinheiro”), um ótimo retrospecto da evolução do mundo financeiro global, deu interessante entrevista à repórter Ângela Pimenta, da revista Exame. A última resposta adverte para uma perigosa tendência do governo Barack Obama, que afetaria muito nosso próprio receituário contra a crise:

“Precisamos lembrar duas coisas: a primeira é que o próprio Obama integra a ala mais à esquerda do Partido Democrata e que ele conta com o forte apoio dos sindicatos, que não são defensores das políticas de livre comércio. E baseado em coisas que o Obama disse durante a campanha, ele não se demonstrou um admirador do Nafta (NB: tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México) e certamente é muito menos provável que ele busque acordos de livre comércio com os demais países latino-americanos. Logo, esse não é um governo que se pareça comprometido com o livre comércio.”

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“Aprenda, meu filho, como o mundo é governado com tão pouca sabedoria”
Papa Júlio III (1487-1555)

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WOLFF: OBAMA NA ROTA DO FRACASSO

Martin Wolff, do “Financial Times” (e traduzido para muitos outros jornais do mundo, inclusive o nosso VALOR), faz outra advertência. O mais respeitado jornalista econômico do mundo, prevê que o plano de Obama - já aprovado também pelo Congresso americano – deverá fracassar. Por que? Porque Wolff acha que esse dinheirão deveria ser encaminhado para criar bancos sadios e confiáveis. não perder tempo em salvar o que ele chama de bancos “zumbis”.

Wolff afirma que essa opinião foi dada pelos próprios Estados Unidos aos japoneses na década de 80 – que a aceitaram e remodelaram o sistema bancário. Por que Obama teria tomado outro caminho – e errado? pergunta Wolff e ele mesmo responde:

“Pode ser que ele esteja torcendo pelo melhor. Mas também parece que ele se fez a pergunta errada. Não perguntou o que é necessário ser feito para assegurar uma solução. Em vez disso, ele se perguntou que melhor pode fazer, dadas três restrições arbitrárias e autoimpostas: nada de nacionalização, nada de prejuízos para os detentores de títulos; e nenhum dinheiro adicional concedido pelo Congresso. (…) Ao fazer a pergunta errada, Obama está fazendo uma aposta imensa. Ele deveria ter decidido limpar esses bancos imundos e sórdidos. Ele precisa repensar a situação, se já não for tarde demais.” (…) Ao fazer a pergunta errada, Obama está fazendo uma aposta imensa. Ele deveria ter decidido limpar esses bancos imundos e sórdidos. Ele precisa repensar a situação, se já não for tarde demais.”

A íntegra do artigo pode ser lida pelos assinantes do UOL www.uol.com.br e leitores de VALOR.

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ESPIÕES EM AÇÃO NA BASE DE ALCÃNTARA

A Folha deu um “furo” de reportagem ao revelar (matéria do repórter Leonardo Souza), que, pela terceira vez, equipamentos de telemetria, capazes de captar, enviar e processar dados à distância) foram apreendidos, no mês de outubro passado, em bóias encontradas nas praias próximas ao Centro de ançamentos da Alcântara. Todo o material – encontrado por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) - foi levado para o Instituto de Pesquisas da Marinha, no Rio.

As bóias são de fabricação japonesa e espanhola, mas até hoje ninguém reclamou esses aparelhos. E a repercussão dessa excitante estória de espionagem foi mínima. O que parece confirmar sua veracidade.

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INSTANTÂNEO MUNDIAL DA DESIGUALDADE

Menos de 7 milhões de pessoas controlam 25% das riquezas de todo o mundo (estimadas vagamente em 300 trilhões de dólares).

Os 20% mais ricos do planeta – mais ou menos 1 bilhão e 700 milhões de pessoas – consomem 76,6% de tudo aquilo produzido no planeta. Os outros 5 bilhões e 100 milhões ficam com 23,4%.

(Dados do site do economista Anup Shah, prêmio Nobel)

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QUANDO ELES ENTRAM O FUNDO FICA RASO

Segundo Relatório Reservado, publicação on-line especializada em economia e negócios, com a eleição de Michel Temer para a presidência da Câmara, “o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) voltou a se dedicar a um de seus esportes favoritos: tirar Sérgio Fontes da presidência da Fundação Real Grandeza”. A FRG é o fundo dos funcionários de Furnas.

Controlar fundos de previdência é um objeto de desejo dos parlamentares mais bem sucedidos. Eduardo Cunha é especialista nisso. Como presidente da Telerj e principalmente da CEDAE, ele já demonstrou suas “habilidades”. O pessoal de Furnas vem resistindo a todas as pressões políticas mas o Poder Executivo depende muito da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, controlada por Cunha.

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NÃO HÁ CRISE PARA FINANCIAR CASA NOVA

Neste janeiro, foram assinados quase 46 mil novos contratos de crédito imobiliário, no total aproximado de R$ 2 bi, média de quase 43 mil reais por imóvel financiado – o melhor resultado em toda a história da Caixa Econômica Federal nesse setor.

Mesmo com esses números estupendos, que demonstram o empenho do Governo no incentivo à construção civil, as empresas continuam pedindo maiores facilidades burocráticas etc.

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ITALIANAS TÊM DE ATURAR TAPA NA BUNDA

Tapa ou tapinha na bunda não deve ser interpretado como assédio sexual. Raciocínio bem italiano, até consagrado por decisão do Superior Tribunal do país. O gesto, que no Brasil pode provocar um belo bofetão na cara com pleno apoio dos circunstantes, foi considerado inocente, desde que tenha sido um fato “isolado” e “impulsivo”.

Uma senhora exigente de respeito pelos colegas e, principalmente, pelo chefe, levou à Justiça um tapa do chefe, que ainda a teria ameaçado de revide se ela denunciasse o gesto machista, ocorrido em 1994. Em primeira instância, o homem fora considerado culpado e condenado a um ano e meio de prisão e multa equivalente a uns 9 mil reias. Mas a sentença foi revogada, pórque a Suprema Corte não viu nada “libidinoso”.

A queixosa disse que as mulheres italianas, de agora em diante, não têm mais a quem reclamar de palmada, mesmo se doerem.

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JUSTIÇA E POLÍCIA DEVEM SER LENTAS?

No dia 4 de janeiro deste ano, na cidade chinesa de Luoyang, Xiong Zhemin em oito horas matou oito pessoas, inclusive uma criança de dois anos e dois deficientes mentais. Foi preso uma semana depois (depois que a polícia ofereceu recompensa de 16 mil reais por informações que levassem a sua captura) e, em apenas 29 dias, a polícia concluiu o inquérito policial e a Justiça encerrou o processo criminal, condenando Xiong à morte.

Dentro desse prazo, o tribunal ainda verificou (respondendo a alegações do advogado de defesa) que Xiong não era doente mental nem vítima de “muitos meses de insônia e problemas pessoais”, como se justificara em carta a um jornal.

Estou disposto a levar em conta que a Justiça na China pode não ser tão ciosa como nós dos direitos humanos. Mas há algo errado em nossos sistemas de instrução criminal e judicial, quando processos se arrastam durante anos e anos, mesmo diante de fatos plenamente conhecidos e testemunhados ou comprovados.

Estamos reformando o Código Penal, mas não vejo ainda razão para otimismo ou esperança de uma Justiça eficiente.

Que tal um instituto de pesquisas sair perguntando ao povo se gosta de nosso sistema de aplicar Justiça ou preferiria o tipo chinês?

11.2.09

Caso encerrado

O Globo, Ancelmo Gois, 11/02/2009:

Caso encerrado

O Diretório Nacional do PT confirmou a decisão de expulsar o deputado Jorge Babu, acusado de envolvimento com milícia.

Dos 81 votos, o único a favor de Babu foi o de Antônio Neiva, secretário do prefeito Lindberg Farias, em Nova Iguaçu, RJ.

10.2.09

Deu no Globo

O Globo, 10/02/2009:

MATERIAL ESCOLAR

A ONG Terra dos Homens está fazendo uma campanha para arrecadar, até o final deste mês, 80 kits escolares para crianças das famílias de baixa renda atendidas por seus projetos sociais. Cada kit deve conter, pelo menos, dois cadernos, três lápis pretos, borracha, apontador; uma caixa de lápis de cor; uma pasta de cartolina com elástico e uma mochila simples. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (21) 2524-1073 ramal 24 ou no site www.terradoshomens.org.br. A ONG Terra dos Homens atende crianças e adolescentes que vivem em abrigos, nas ruas ou são vítimas de violência doméstica.

Volta às Aulas na Terra dos Homens


Decisão unilateral

Veja.com, RADAR ON-LINE, Lauro Jardim, 09/02/2009:

SATIAGRAHA
Decisão unilateral

Não foi de comum acordo com o cliente e nem por causa de espionagens de que foi alvo os motivos que levaram Nélio Machado a deixar na semana passada a defesa de Daniel Dantas na enxurrada de acusações a que o banqueiro responde por causa da Operação Satiagraha. Na verdade, foi uma decisão de Dantas, que pegou Machado de surpresa. Quem entende do riscado avalia que Dantas, mais uma vez, tomou a decisão errada.

Pessoas com deficiência podem ter direito ao voto facultativo

BRASÍLIA - A primeira proposta de emenda à Constituição (PEC) apresentada em 2009 sugere que pessoas portadoras de deficiência que tenham dificuldade de locomoção passem a ter direito de decidir pelo exercício ou não do voto em cada eleição. A PEC (1/09) é de autoria do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

O texto constitucional estabelece a obrigatoriedade do alistamento eleitoral e do voto para os maiores de 18 anos, facultando o exercício desses direitos aos analfabetos, aos maiores de 70 anos e às pessoas que tenham entre 16 e 18 anos. Para Mozarildo, essas exceções contemplam pessoas que têm dificuldade de votar em razão da idade e da escolaridade, deixando ao próprio cidadão eleitor julgar se esses empecilhos devem ser vencidos ou não.

“Parece claro que o mesmo princípio cabe, por analogia, aos portadores de deficiência com dificuldade de locomoção cujos obstáculos ao exercício do voto, em alguns casos, superam aqueles encontrados por eleitores idosos”, defende Mozarildo na justificação da proposta.

O senador acredita que esse entendimento precisa ser explicitado na Constituição Federal. Detalhes, como a definição precisa de quais dificuldades de locomoção serão relevantes, devem ficar a cargo de legislação ordinária ou de regulamentação a ser produzida pela Justiça Eleitoral, explica o parlamentar.

* Fonte: Site Em Dia Com A Cidadania/DCI

9.2.09

OS INDIFERENTES

Antonio Gramsci
(11 de fevereiro de 1917)

Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel* acredito que “viver significa tomar partido”. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e, às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, queriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim à falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

Odeio os indiferentes, também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.

* Christian Friedrich Hebbel, teatrólogo e poeta germânico (1813 – 1863).

Primeira edição: La Città Futura, 11-2-1917
Origem da presente transcrição: Texto retirado do livro Convite à Leitura de Gramsci
Tradução: Pedro Celso Uchôa Cavalcanti.
Transcrição de: Alexandre Linares para o Marxists Internet Archive
HTML de: Fernando A. S. Araújo
Direitos de reprodução: Marxists Internet Archive (marxists.org), 2005. A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.

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* Fonte: Grupo Ethos-paidéia

Moradia para pessoas com deficiência

Site Em Dia Com A Cidadania, 09/02/2009:

Moradia para pessoas com deficiência

Ana Paula Siqueira, da redação do Jornal de Brasília

Boa notícia para os deficientes do Distrito Federal e suas famílias. O governador José Roberto Arruda sancionou secxta-feira projeto de lei que destina entre 5% e 10% de todos os programas habitacionais para os portadores de deficiência. No entanto, para a alegria dos presentes, Arruda se comprometeu a manter, durante sua gestão, o percentual máximo de 10% destinado a essa parcela da população. Cerca de 10 mil pessoas devem ser beneficiadas. Quase 5 mil pessoas participaram da solenidade, no estacionamento do Ginásio Serejinho, em Taguatinga.

Podem participar dos programas habitacionais todos os portadores de necessidades especiais que morem em Brasília há pelo menos cinco anos, cuja renda familiar não ultrapasse cinco salários mínimos e que não possuam ou nunca tenham tido imóveis em seu nome. Terá prioridade quem tiver o maior número de filhos e estiver há mais tempo no Distrito Federal.

A partir de 1º de março, o GDF começa a fazer o cadastramento de portadores de deficiência para a primeira área de expansão da Samambaia. Dos mil lotes que deverão ser entregues, cem serão destinados aos portadores de necessidades especiais e suas famílias. As inscrições serão feitas por ordem alfabética, na Praça do Cidadão, na 114 Sul.

O projeto tramitou em regime de urgência na Câmara Legislativa no ano passado e foi aprovado com unanimidade pelos deputados distritais. Além disso, com a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), aproximadamente 85 áreas de interesse social deverão ser criadas, com estimativa de cem mil novas residências. Com isso, os cerca de 10 mil deficientes cadastrados no Movimento Habitacional e Cidadania das Pessoas com Deficiência (MOHCIPED) deverão ser beneficiados.

(Saiba mais)

Perereca de bigode

A marchinha vencedora do grande e ilibado concurso do bloco carnavalesco Pacotão, de Brasília, é uma singela homenagem à ministra Dilma Rousseff.

Perereca de bigode

Autor e intérprete: Joka Pavaroti

***

Eureca! Eureca!

Quem comeu sapo
engole perereca! (bis)

Estão maquiando a Dilma
Pra enganar o povão
O Lula gritou: Eureca!

Quem comeu sapo
Engole perereca!

Eu acho que vai dar bode
Dilma não tem barba
Mas pode ter bigode!

Eureca! Eureca!
Quem comeu sapo
Engole perereca! (bis)

***

A marchinha Perereca de Bigode, gravada pela Banda Podre o Pacotão, já está disponível. É só pedir através do e-mail pacotaofolia@gmail.com

(Clique aqui para fazer download da marchinha)

* Dica: Givaldo Siqueira

8.2.09

Os cômodos do castelo

MIGUEZIM DE PRINCESA

I
Eu, que trabalhei na roça,
Aprendi a capinar,
A puxar cobra pros pés,
Arroz e feijão plantar;
Jornalista e Delegado,
Inda não fui contemplado
Com castelo pra morar.

II
Já morei em quitinete,
Em apartamento belo,
Em casa de bairro pobre,
Em quichó pé-de-chinelo
(De Asa Sul e Asa Norte),
Mas nunca tive essa sorte
De morar em um castelo.

III
Eu nunca juntei dinheiro,
Mas sempre pude gastar:
Quando recebia salário,
Saía para festejar
(Homem ou menino amarelo,
Nunca encontrei um castelo
Onde pudesse morar).

IV
Mais eis que surge em Brasília
O grande corregedor
Que corrige os deputados
Ultrajantes do pudor
E põe nos classificados,
Por um valor amuado,
Um castelo tentador.

V
E eu, que sempre sonhava
Em ter um castelo assim,
Fico só me perguntando
Por que a sorte é ruim?
Pra uns é ave agoureira,
Porém pra Edmar Moreira
Deu o que tirou de mim?

VI
São 25 milhões
De dólares americanos,
Que deixam brilhando os olhos
De petistas e tucanos,
DEM e peemedebistas,
Radicais e comunistas,
Não há quem não faça planos.

VII
Uma centena de cômodos
(Todos podem se espalhar).
No castelo do Moreira,
Vaga é que não vai faltar:
Do presidente ao prefeito,
Do suplente e do eleito,
Todos podem se arranchar.

VIII
Lula fica na suíte
(Se é com Marisa eu não sei),
Temer fica noutro quarto
(Tem até quarto pra gay),
Mas a segunda suíte,
Que é coisa de elite,
Vai ser quarto de Sarney.

IX
Moreira, que é elitista,
Reservou só um quartinho
Para Jeany Mary Córner
Trazer Professor Luizinho
E se juntar com Burati,
Palocci vem de arremate
E ninguém fica sozinho.

X
Se é lavagem de dinheiro,
Disso eu não tenho certeza,
Mas nesse Brasil inteiro
Anda grande a safadeza.
Antes que eu morra de infarto,
Ali só não vai ter quarto
Pra Miguezim de Princesa!

* Fonte: Jean Kleber Mattos / Grupo Ethos-paidéia

“A verdade sobre a conversa do Obama com o Lula”

E-mail que circula na internet:

Foi divulgado que Obama ligou para Lula e a conversa teria durado 25 minutos. Fiquei curioso para saber o desenrolar da conversa. Afinal, se Lula não fala inglês e há necessidade de um intérprete, o tempo já cai pela metade, de modo que 25 minutos viram 12 minutos e meio.

A nota oficial do governo diz ainda que os temas tratados foram biocombustíveis e Rodada de Doha.

Já a Associação da Petrobrás afirma que foi uma intimação para lhe entregarem a exploração do pré sal.

Quanto tempo será que sobrou para cada um?

Sem dúvida alguma, certamente a conversa foi mais ou menos assim:

Obama - Hello, this is the president of the United States, Barack Obama. I would like to talk to president Lula, please.

Lula - Puta merda, fudeu. Chama aquele barbudinho que parece um periquito.

Franklin Martins - O Celso Amorim?

Lula - Acho que é, são tantos ministros, puxa sacos… Deve ser esse mesmo. Chama o periquito porque tem alguém falando ingrês no telefone, porra. Eu só falo brasileiro.

Obama - Lula, is that you?

Lula - Me Lula, sim. Posso te chamar de Barack? You, Barack? Me, Lula?

Obama - I beg your pardon?

Lula - Beque pardal? (para Franklin) Bota uma música de espera, porra, enquanto o periquito não vem. Você não seqüestrou um embaixador americano? Você não fala inglês, não, seu merda?

Franklin Martins - Não me dou com os imperialistas, mas eu mesmo posso fazer a música. Sou comunicador (coloca a boca no telefone): “caminhando e cantando e…”

Lula - Canta outra, merda, você só sabe essa. Toda vez é a mesma, isso tá ficando um porre.

Franklin Martins - Mas o senhor gosta de porre, presidente!

Obama (para assessores) - I think I hear some voices… Lula?

Franklin Martins (cantando) - “apesar de você amanhã há de …”. (alguém entra) O Celso Amorim chegou, presidente. Ufa.

Lula - Porra, seu inútil, vem logo traduzir esta merda de conversa. Já passou um tempão. Uns 10 minutos. Onde você tava, caralho?

Celso Amorim - Desculpa, presidente. É que eu nunca sei quando a tarefa é minha ou do Marco Aurélio.

Lula - Marco Aurélio… hum, é o ministro da Fazenda?

Celso Amorim - Não, da Fazenda é o Mantega. Marco Aurélio é aquele do top, top (faz o gesto). Tá lembrado, presidente?

Lula - Claro. Foi engraçado pra caralho. (começa a fazer o gesto top top). Hahaha. Se não fossem esses sanguesungas da imprensa…

Obama - My God. I have a million things to solve and they don’t answer me. Hillary, can you help me here?

Lula - Começa a traduzir aí, periquito. Pergunta se ele quer conhecer a nossa caninha 51.

Celso Amorim - Presidente, não acho que esta seria uma boa…

Lula - Pergunta, porra. Eu to mandando.

Celso Amorim - Good morning, president Obama. President Lula would like to ask if you want to come and visit us to learn about our little sugarcane fifty one.

Obama - What?

Celso Amorim - Ele disse que adoraria.

Lula - Eu sabia! Esse negão não me engana! Pergunta quantas rodadas de caninha ele agüenta.

Celso Amorim - Rodada?

Lula - É, seu puxa saco. Vira-vira de cachaça, cada hora um. Rodada de caninha!

Celso Amorim - How many rounds of little sugarcane fifty one can you drink, Mr. President Obama?

Obama - Rounds of what? The only round I know is the Doha Round.

Celso Amorim - Ele disse que agüenta (cara de desespero)… o dobro de V. Exa.! Isso! Doha, dobro, é tudo a mesma coisa, presidente Lula.

Lula - Eu disse! Esse é o cara, mas ele não me ganha, não. (alguém abre a porta) Ô Marta Suplicy, vem aqui pra eu te apresentar o Obama!

Franklin Martins (falando ao pé do ouvido do presidente) - É a Marisa Letícia, sua esposa, presidente.

Lula - Caralho, toda hora eu faço essa confusão. Qualquer dia eu vou me sifu…

Obama (para Hillary Clinton) - Hillary, it was the craziest conversation since I was elected. Being president is harder than I thought!

Obama desliga o telefone.

Lula (para Franklin Martins) - Divulga uma nota aí, dessas pra jornalista comprado, contando da minha conversa com o Obama, porra. É tarde, vou dormir…

Franklin Martins - E o que dizemos para a imprensa?

Lula - Inventa qualquer coisa, caceta, ou deixa cada uma inventar o que quiser. O que importa, porra, é saberem que o Obama me ligou.

Leitura de sinais

O Globo, Panorama Econômico, 07/02/2009:

Leitura de sinais

Miriam Leitão

Um grande exportador brasileiro para a China me disse que “a China parou de piorar”. Alguns projetos de infraestrutura estão começando a sair do papel e isso levará o país a importar commodities que tinha parado de comprar. Mas só a China, porque na visão desse exportador “o Japão está derretendo, a Coreia está ainda caindo e a queda da Europa será funda e longa”.

No Brasil, uma das respostas à crise tem sido o Banco Central usar as reservas para o financiamento ao comércio exterior. Agora, vai usar mais US$36 bilhões de reservas para socorrer as empresas que têm dívida externa. Por lei, o BC só pode agir através de instituições financeiras. Detalhe: o empresário Luiz Fernando Furlan me disse que aumentaram o spread nestas operações feitas com linhas do BC, de 1% para 5%. O risco é fazerem a mesma coisa com os US$36 bi para o pagamento da dívida externa das empresas.

No resto do mundo, os países estão tentando, cada um a seu modo, responder a essa crise. Da qualidade da resposta dependerá o futuro após a normalização. O Reino Unido baixou de novo os juros que já estavam no nível mais baixo da história, mas ontem também colheu o menor número de produção industrial desde 1974.

A China continua sendo, talvez por miragem, a economia da última esperança. Só porque se acredita que ela terá de 5% a 6% de crescimento no mar vermelho das previsões sobre os outros países. Mas ela está caindo 13% em 2007 e 10% em 2008. O crescimento está se reduzindo à metade e a previsão é de que o país acumule 20 milhões de desempregados. Isso na parte visível da China, que impõe pela ditadura a proibição de os trabalhadores irem para as cidades. Nos confins da China quem sabe o que se passa? O governo está tentando rever o clima com fortes estímulos fiscais.

A indústria brasileira, depois do tombo de dezembro, ainda está com estoque alto e as vendas de matérias-primas, em alguns casos, chegam a ser de apenas 30%. Janeiro também foi de paralisia nos negócios. Nas conversas com os setores, quando há sinais de melhora, são pequenos. O setor siderúrgico afirma que as encomendas externas começam a aparecer, segundo Marco Polo de Melo Lopes, do IBS. No setor de equipamentos eletrônicos simplesmente não houve encomendas em janeiro, diz o presidente da Abinee, Humberto Barbato. Ele acha que a atividade vai ficar baixa durante todo o primeiro trimestre. Celulares, bens de informática e material elétrico para a construção civil são os que mais sentiram no setor, que em dezembro caiu 40%. Estes seis meses entre setembro e março são o pior momento para nós. E ocorre quando o mundo continua piorando.

Nos Estados Unidos, a tentativa do governo Barack Obama de dar uma resposta rápida já fracassou. Tem estado na defensiva pelos problemas fiscais dos seus nomeados. As emendas protecionistas acabaram com a unanimidade que o pacote pretendia ser. Com o plano aprovado, o dinheiro começará a jorrar para a economia através de redução de impostos e projetos de investimento, mas ele perdeu duas semanas cruciais.

Além da retração de produção para o mercado interno, e da redução das exportações, as empresas brasileiras enfrentam a queda dos preços internacionais que, em alguns casos, é forte. A China chegou a pedir à Vale uma redução de 80% no preço, agora reduziu o desconto para 40%. O níquel, que já foi comercializado a US$55 mil a tonelada, caiu para US$11 mil. Para se ter uma ideia da drástica mudança de preços, o frete pago por uma tonelada de minério de ferro para a China no ano passado era US$110. Agora, está em US$10.

A economia internacional continua vivendo essa drástica alteração dos patamares de preços, de produtos e moedas. Por isso, a recuperação das economias fica mais imprevisível. Siderúrgicas que fecharam altos-fornos, como as de Tubarão, terão que esperar a demanda melhorar lá fora e ainda o grupo no qual estão - no caso a Arcelor Mittal - recuperar-se do baque que enfrentou. A interligação entre economia brasileira e internacional, que funcionou nos bons momentos, agora também funciona, mas para tornar mais difícil a recuperação.

Ontem, a OCDE piorou as perspectivas para o Brasil, a China, a Índia e a Rússia. Os países do Leste Europeu estão vivendo um desastre. A Turquia livrou-se do pior, que foi o colapso financeiro, através de um acordo com o FMI de US$25 bilhões. O governo russo queimou US$100 bilhões de reservas tentando evitar a alta do dólar. Depois desistiu. Agora, está tentando salvar o setor privado, mas as dívidas das empresas superam as reservas de US$386 bilhões. Apesar das altas reservas, o país foi rebaixado esta semana. A queda do preço do petróleo mudou a conjuntura. Após 10 anos, a Rússia terá déficits fiscal e externo. O fiscal pode chegar a 10% do PIB. A Ucrânia terá uma recessão de 6% este ano. Nossa vizinha Argentina entra em 2009 em estagnação, por culpa dos erros de sua política econômica.

Há pouca esperança lá fora. Por isso, o sentimento do nosso exportador de que a China “parou de piorar” - com o qual abro esta coluna - é uma rara esperança. Se for confirmada.

6.2.09

O Conselho Nacional de Justiça e o ECA

Jornal do Brasil, Sociedade Aberta, 06/02/2009:

CRIANÇAS E ADOLESCENTES
O Conselho Nacional de Justiça e o ECA

Antonio Umberto de Souza Júnior
MEMBRO DO CNJ

O Conselho Nacional de Justiça, criado pelas mãos do Congresso Nacional em dezembro de 2004, consistiu na resposta à expectativa, nutrida pela comunidade jurídica e pela sociedade como um todo, de fundação de um órgão de planejamento e controle das atividades administrativas do Poder Judiciário nacional.

Nestes poucos anos de vida, o Conselho Nacional de Justiça tem procurado corresponder ao anseio da sociedade brasileira, no sentido de liderar a construção de um Judiciário mais eficiente, ou seja, mais veloz na conclusão dos processos, mais eficaz no cumprimento de suas decisões e melhor administrado.

Nesse sentido, o Conselho Nacional de Justiça, levando em conta o fato de o nosso Estatuto da Criança e Adolescente já haver completado 18 anos de idade, tem empreendido iniciativas dedicadas à efetividade da proteção jurídica da população infantil e jovem de nosso país. Isso com o intuito de atacar essa que é uma das muitas mazelas que afetam a atuação dos tribunais e dos governos em seus diversos níveis.

Em tal contexto de atenção institucional, o Conselho Nacional de Justiça assinou convênios com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente (Conanda) e com a Associação Brasileira dos Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da Juventude (ABMP), os quais visam à realização de ações conjuntas que garantam, em toda plenitude, o aprimoramento do sistema de justiça no tocante às crianças e aos jovens brasileiros. Para tanto, deu-se especial atenção à verificação do estágio de atendimento institucional das obrigações decorrentes do sistema constitucional e legal de proteção a tais grupos de pessoas e, por conseqüência, à discussão e implantação de estratégias multidirecionais capazes de abreviar a solução dos problemas detectados. A situação e (in)suficiência dos estabelecimentos de internação, o grau de eficácia social das medidas socioeducativas nas comunidades, a possível correlação entre políticas públicas mais incisivas, a demanda de serviços jurisdicionais na área da criança e do adolescente e o eventual impacto da eficiência das varas da infância e da juventude sobre o quadro de bem-estar social de tais contingentes populacionais são algumas das informações úteis que as parcerias firmadas poderão propiciar.

Não se pode deixar de notar que os problemas decorrentes do desamparo social dos jovens geram extensa repercussão no nível de desenvolvimento das comunidades, seja na área da segurança pública, seja no setor da saúde e mesmo no campo educacional.

Conhecer a realidade por meio do compartilhamento de dados e experiências colhidos pelos diversos órgãos e segmentos sociais dedicados à questão da infância e da juventude permite e produz o imprescindível entrosamento entre eles, com reflexos positivos na eficiência, eficácia e economicidade da atuação do poder público.

É preciso, humildemente, reconhecer que problemas de tamanha complexidade serão mais facilmente enfrentados se as instâncias responsáveis assumirem um regime de cooperação interinstitucional em caráter permanente. Poupam-se tempo e dinheiro e enriquecem-se as alternativas na busca de respostas ao enorme desafio que é tornar completamente efetivo o estatuto jurídico de defesa das crianças e dos adolescentes. Entender o funcionamento e as disfunções do sistema judiciário, contextualizar o grau de vulnerabilidade social das crianças e dos adolescentes nas diversas partes do país, conhecer as boas práticas, dentro e fora do Judiciário, tendentes a superar os problemas crônicos nesta seara (como o abandono, a prostituição infantil, a violência praticada contra e por jovens e a precariedade dos estabelecimentos de acolhimento de jovens em situação de risco), são atitudes essenciais para que se vislumbre um futuro mais colorido para estas pessoas.

Ademais, a realização de parcerias representa um passo importante na direção da desejável aproximação do Conselho Nacional de Justiça, como órgão central de formulação de políticas públicas do Poder Judiciário, com os segmentos da administração pública e da sociedade organizada, parcerias que, no caso dos convênios recém-assinados, certamente trarão, a médio prazo, informações e estratégias de ação que tornarão o sistema de justiça, no campo da infância e da juventude, mais rápido, humano e civilizador.

Carnaval 2009 - Pessoa com Deficiência

Carnaval 2009
(Ingressos para o Carnaval - Frisa do Setor 13 do Sambódromo)

Esse ano o critério de inscrição para o carnaval (frisa do Setor 13 do Sambódromo) mudou.

Nos anos anteriores: as vagas eram divididas entre as instituições e parte ficava no Conselho para aquelas pessoas que não eram de nenhuma instituição.

Esse ano (2009): as vagas foram distribuídas entre as áreas de deficiência e a inscrição será feita direto no Comdef-Rio - Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Dia: a partir de 07 de fevereiro (sábado), até acabarem as vagas
Horário: 09:00 às 15:00 h.
Local: CIAD - Av. Presidente Vargas, 1.997 - Cidade Nova - Rio de Janeiro / RJ
Documentos Necessários: comprovante de deficiência é identidade.

Observações:
1) Não é necessário a presença da pessoa com deficiência, qualquer pessoa poderá fazer a inscrição desde que leve um comprovante da deficiência e a identidade da pessoa que será inscrita.
2) Cada pessoa só pode inscrever 2 (duas) pessoas.

***

Bloco Senta Que Eu Empurro

As camisetas do Bloco Senta Que Eu Empurro já estão a venda. As pessoas interessadas em comprar a camiseta deverão comunicar a quantidade e o tamanho que desejam o mais rápido possível, para que possamos encomendar. O pagamento deverá ser feito antecipadamente.

Valor da camiseta: R$ 15,00 (quinze reais)

Informações:

Data do Bloco: 20 de fevereiro (sexta-feira de carnaval)
Horário da Concentração: 18:30 h.
Horário de Saída: 21:00 h.
Local da Concentração: Rua Artur Bernardes, 26 - Catete - Rio de Janeiro / RJ
Parada do Bloco: Paraíso do Chopp (Largo do Machado)

Mais informações: Ana Cláudia ou Bianca - Tel.: 3235-9290

*Fonte: Ana Cláudia Monteiro

5.2.09

Terra dos Homens Notícias 1-2009



* “Terra dos Homens Notícias”
é uma publicação semestral da
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Battisti, jeito e fala de Cabo Anselmo

MILTON COELHO DA GRAÇA

Red Rudi foi o mais famoso líder da resistência holandesa contra a ocupação alemã na II Guerra Mundial. Grandão e cabelos ruivos (que lhe deram o apelido), em todos os ataques em conjunto com comandos britânicos, ia sempre corajosamente à frente. Mas nunca era ferido e os alemães pareciam estar sempre preparados para se defenderem. A inteligência britânica o identificou como agente alemão infiltrado e foi uma bala britânica que o matou.

Cabo Anselmo foi treinado para ser agente do CENIMAR – Centro de Informações da Marinha – e se meter entre os companheiros da associação de marinheiros e fuzileiros. Era sempre o mais entusiasmado e tinha o discurso mais radical Em 1964 era o líder do movimento. Foi preso mas logo conseguiu fugir facilmente de uma delegacia. Juntou-se a vários grupos da luta armada contra a ditadura militar e suas informações levaram à prisão, tortura e morte de vários companheiros. Ele mesmo confessou uma parte de tudo isso numa entrevista à revista IstoÉ em 1984, que deu o prêmio Esso ao repórter Otávio Ribeiro.

O italiano Cesare Battisti, condenado pela Justiça italiana por quatro homicídios e refugiado no Brasil deu também esta semana uma entrevista à revista Istoé. E cada vez tenho maior suspeita de que o Brasil precisa investigar com o maior cuidado se Battisti é mesmo um porra-louca metido a dissidente político ou um agente da P-2 (Propaganda Due, uma loja maçônica ligada a militares) ou do SIFAR (Serviço de Informações das Forças Armadas Italianas), criador ou infiltrado no PAC, um dos grupos que mataram e assaltaram na década de 70, em nome de uma revolução socialista.

Fatos:

1. Nenhum revolucionário com um pingo de bom senso montaria uma organização sob o nome de Proletários Armados para o Comunismo. Nos chamados “anos de chumbo” na Itália, década de 70, havia uns 20 grupos do gênero, mas nenhum tão “intencionalmente” querendo comprometer o PC (legal e segundo partido italiano desde o fim da II Guerra), e deixando tão clara a disposição de derrubar o governo com armas na mão.

2. Battisti afirma que nos anos 70 havia “guerra civil” na Itália. Isso é inteiramente mentiroso. A Itália tinha um governo eleito democraticamente e todas as instituições funcionavam em plena normalidade.

3. Na entrevista, Battisti afirma que havia “milhares de militantes” na luta armada, o que é inteiramente falso. No seu PAC, havia apenas cerca de 60. Acusa o promotor Armando Spataro de ter torturado Pietro Mutti – o companheiro que, contando com o benefício da delação premiada, o apontou como autor de quatro homicídios. Mas nem Mutti nem nenhum jornalista italiano até hoje acusou Spataro como torturador.

4. Battisti não explica com clareza suas atividades no México. E diz que o SDECE (serviço secreto francês) o ajudou a vir para o Brasil. Por que o SDECE ajudaria em 2004 um “revolucionário de esquerda” a fugir da justiça italiana, inclusive dando-lhe um passaporte italiano legal? Não é mais provável que tenha sido preparado pelo SIFAR e repassado aos “camaradas” franceses? Battisti também informa que, no Brasil, foi monitorado por franceses, brasileiros e até italianos. Quem, senão um coleguinha, poderia merecer tanta atenção e proteção de agentes secretos de três países? Todos companheiros de esquerda? Finalmente, a fuga dele da prisão na Itália é uma história tão esquisita como a contada pelo Anselmo sobre a fuga da delegacia.

***

“Muitos deles, para obter favores dos tiranos, por um punhado de moedas, ou através de suborno e corrupção, estão derramando o sangue de seus irmãos.”

Emiliano Zapata (1879-1919), revolucionário mexicano, referindo-se aos madeiristas, que, a seu ver, haviam traído a causa revolucionária.

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CIÊNCIA PROMETE NOS LIVRAR DOS PLÁSTICOS

O homem está perto de se livrar da praga do plástico. Ele foi uma descoberta importante, facilitou e barateou muitos processos industriais, mas, com o passar do tempo, não ser reciclável e conter toxinas acabaram tornando-o um crescente e permanente problema ambiental.

Cientistas alemães acreditam entretanto que o plástico poderá ser brevemente substituído por madeira líquida – o “arboform”, derivado da linhina, componente básico da madeira (junto com a celulose e a hemicelulose, mas não utilizado na fabricação de papel). Junto a outros ingredientes, pode transformar-se numa pasta que, depois de sólida, parece madeira polida. O arboform já é usado em peças para carros – especialmente de competição – que exigem maior resistência. Só ainda não foi ampliado o seu uso, porque tem alta quantidade de enxofre. Os cientistas afirmam que ele terá uma infinidade de aplicações tão logo consigam “limpá-lo” e reduzir o conteúdo de enxofre a, no máximo, dez por cento do atual.

Para maior alegria, o arboform poderá ser reciclado pelo menos dez vezes.

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SER EMPRESÁRIO MÉDIO NÃO É FÁCIL

Um empresário gaúcho, de São Leopoldo, publicou uma carta na internet, da qual reproduzo abaixo os dois parágrafos mais representativos. Dispensa qualquer comentário.

“Minha empresa, a Geremia, tem 25 anos e fabrica equipamentos para extração de petróleo, um ramo que exige tecnologia de ponta e muita pesquisa. Disputamos cada pedacinho do mercado com países fortes, como os Estados Unidos e o Canadá. Só dá para ser competitivo se eu tiver pessoas qualificadas trabalhando comigo. Com essa preocupação criei, em 1988, um programa que custeia a educação em todos os níveis para qualquer funcionário, seja ele um varredor ou um técnico.

“Este ano, um fiscal do INSS visitou a empresa e entendeu que educação é salário indireto. Exigiu o recolhimento da contribuição social sobre os valores que pagamos aos estabelecimentos de ensino freqüentados por nossos funcionários, acrescidos de juros de mora e multa pelo não recolhimento ao INSS. Tenho que pagar 26 mil reais à Previdência por promover a educação dos meus funcionários?

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“Se você não tem voz para cantar nem talento para dançar, apenas mostre os seios”.

Anna Semenovitch, estrela pop russa atual, com fartas glândulas mamárias.

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POR TRÁS DOS NÚMEROS, ALTO RISCO DE CONFLITOS

Os números de janeiro da balança comercial (primeira vez que as exportações superaram as importações desde 2001) e a confirmação pelo IBGE de que a nossa produção industrial em dezembro teve a maior queda mensal desde 1991 está provocando arrepios na maior parte dos empresários e economistas.

No caso da balança comercial, o Ministério da Fazenda ficou mal perante a opinião pública após a revelação de que tentou criar um mecanismo semelhante às antigas licenças de importação, simplesmente para “maquilar” os números, adiando para fevereiro o cômputo das importações dos últimos dez dias de janeiro.

As empresas estão revendo suas previsões de vendas e fluxo de caixa, os Governos – federal. estaduais e municipais – procuram reajustar seus orçamentos, os índices de inadimplência estão subindo (de empresas e pessoas físicas), o consumo das famílias tende a cair. E o fantasma do desemprego é cada vez mais visível.

Só a máquina do Estado permanece em boa parte insensível porque a estabilidade é assegurada, os vencimentos são imexíveis e irredutíveis, a busca por vantagens, favorecimentos e maior remuneração é insaciável. Parlamentares não abrem mão de receber 16 mil reais por um dia de trabalho em fevereiro e disputam sempre mais generosas prebendas; o Judiciário insiste em aumentar seus quadros e a Força Aérea considera indispensável que o país receba imediatamente novos aviões caças.

O quadro assusta e precisamos entender que é da natureza humana, em situações como essa, a filosofia “primeiro os meus, depois os teus”. Em sociedades democráticas, em que as diferenças de interesses e idéias são respeitadas – vejam o que ocorre nos Estados Unidos e na Europa – as soluções resultam de debate mas sempre prevalecem as propostas dos interesses politicamente mais fortes mas com o cuidado de não ultrapassarem o limite tolerável pelos outros. Ou sobrevem um regime despótico (Alemanha, Itália, Brasil e outros países latino-americanos na década de 30) que em nome da “unidade nacional” esmaga todas as dissidências..

Crise econômica grave no passado produziu a miséria de milhões, milhares de falências e – riscos maiores – guerra, conflitos internos, golpes militares “em nome da Pátria”.

***

LEITOR COM A PALAVRA

Comentários e perguntas de leitores por e-mail:

Ricardo e Antonio Jr. – Esse WiMax poderá chegar quando aqui no Brasil?

É difícil prever, Ricardo e Antonio. Mas está havendo um movimento em favor da recriação da Telebrás. uma nova estatal – não mais como empresa telefônica, mas dedicada exclusivamente a apressar a introdução de novas tecnologias digitais, especialmente a banda larga. As telefônicas (as empresas mais criticadas pelos consumidores no Brasil) estão fazendo todo o “lobby” possível para evitar a interferência do Estado nessa área. Mas o cliente sempre tem razão, certo?

Marcos Barcelos – Não há nenhum jeito de Newton Cardoso ter de explicar a origem de toda essa fortuna?

Realmente nossa legislação, desde as Ordenações Manuelinas, procura por todos os meios estabelecer dois sistemas de justiça, um para os que mandam e outro para os que obedecem: linguagem gongórica e frequentemente imprecisa, recursos processuais que claramente têm apenas intenção de retardar a decisão do juiz, processo de escolha dos desembargadores etc. É preciso confiar que o Conselho Nacional de Justiça seja capaz de ir “limpando” a Lei, para que possamos sonhar com uma Justiça mais rápida e igual para todos.

4.2.09

“Praia Acessível - Lazer para Todos”

PROJETO PRAIA ACESSÍVEL – LAZER PARA TODOS

A partir do dia 8 de fevereiro de 2009, a praia do Leblon do Rio de Janeiro será a primeira da cidade a ganhar o status de praia acessível. Pessoas com todo tipo de deficiência de todas as idades poderão desfrutar de um banho de sol e de mar sem as rotineiras barreiras arquitetônicas que inviabilizam o lazer adaptado nas praias brasileiras.

A iniciativa é uma parceria entre as ONGs ADAPTSURF e ESPAÇO NOVO SER e visa a oferecer, além de banho orientado, inúmeras atividades de lazer e de esporte para as pessoas com deficiência, cariocas ou não.

Para promover acessibilidade no Posto 11 do Leblon – local onde o projeto se iniciará – estarão à disposição cadeiras anfíbias, pranchas de surf adaptadas, a esteira de bambu (instalada pela Prefeitura em 2006) e diversos outros materiais que proporcionarão conforto e diversão para TODOS neste verão.

Serão oferecidas atividades de surf adaptado, peteca e frescobol adaptado, brincadeiras em grupo, atividades com areia, músicas, jogos e atividades aquáticas. Essas e outras atividades serão ministradas e orientadas por profissionais especializados e voluntários, nos finais de semana, durante todo o verão das 9 às 17 horas.

Que as crianças e todas as demais pessoas que costumam estar excluídas desse salutar lazer possam sair de suas casas num belo dia de sol e celebrar a vida e a diversidade num dos principais pontos turísticos da cidade e do mundo.

Informações:

ADAPTSURF – Integração, Acessibilidade e Preservação
Representante: Luiz Phelipe Nobre – (21) 9305-7707
ESPAÇO NOVO SER – Acessibilidade Plena e Inclusão Social
Representante: Nena Gonzalez – (21) 8591-6858

***

Leia também:

Todos estão devendo

O Globo, Merval Pereira, 04/02/2009:

Todos estão devendo

O triste espetáculo da eleição para as mesas da Câmara e do Senado, com mais um festival de traições e negociações por baixo do pano, demonstra mais uma vez como o processo político brasileiro se deteriorou, não havendo mais uma linha divisória entre os métodos do baixo e do alto clero parlamentar. O processo de impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor, em vez de colocar a política brasileira na rota correta, como se esperava na ocasião, deixou uma maldição que tem custado caro às nossas instituições: estabeleceu-se desde então a premissa de que é preciso fazer qualquer tipo de acordo político para viabilizar o que se convencionou chamar de “governabilidade”.

Não no sentido de uma coalizão política que dê sustentação a um projeto de governo, mas simplesmente para a garantia de uma maioria parlamentar para que o governo da ocasião não seja inviabilizado, ou até mesmo derrubado, por um golpe parlamentar.

Por essa tese, Collor não teria sido impedido, se naquela ocasião tivesse dividido as benesses do governo com uma base parlamentar ampla. O baixo clero passou a ter uma dimensão maior desde então, e o PMDB a dar as cartas nesse jogo político.

Nos governos de Fernando Henrique, a parte fisiológica do partido ocupou lugares tão importantes quanto o Ministério da Justiça com o mesmo Renan Calheiros, que hoje é usado pelo PSDB para justificar seu apoio ao PT no Senado.

Lula começou seu governo tentando sair dessa armadilha e vetou um acordo que o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, fizera com o PMDB. Na primeira dificuldade que encontrou, porém, teve que voltar atrás e incluiu uma parte do partido no seu Ministério. No segundo governo, incluiu a outra parte, aprofundando a dependência fisiológica.

O resultado dessa mixórdia é que se tornou um axioma da política brasileira que ninguém consegue governar sem o PMDB, embora o PMDB não consiga nunca disputar a Presidência da República unido, em condições de vencer.

Não é possível saber, hoje, quem será com certeza o futuro presidente do Brasil na sucessão de Lula, mas já se sabe quem mandará no governo: o PMDB, que domina o Senado e a Câmara com suas duas faces e, pela primeira vez, está dividindo o poder e os cargos de um mesmo governo.

Lula conseguiu o prodígio de distribuir poderes equivalentes aos dois grupos em que se divide o PMDB, e agora tem a possibilidade de levar o partido unido para a sucessão presidencial, mas, para isso, não pode cair na besteira de oferecer a um dos lados a vice-presidência.

A outra parte cairá imediatamente nos braços da oposição, em que pese o distanciamento cada vez maior entre o ex-presidente Fernando Henrique e o governador José Serra e o grupo de Sarney.

Mas, se foi possível uma reconciliação política entre Collor e Sarney agora, para a eleição do Senado, por que não haveria chances de uma reaproximação entre Sarney e os tucanos, se vingar a idéia de dar a vice na chapa de Dilma Rousseff a um representante da Câmara, Michel Temer ou Geddel Vieira Lima, tradicionais aliados do PSDB?

Para Lula ter o PMDB ao seu lado, mesmo desunido, basta que seu governo se mostre capaz de continuar popular, mesmo com a grave crise econômica que está reduzindo o crescimento e comendo os empregos criados. Como constatou a pesquisa do CNT/Sensus de ontem, dando espetaculares índices de apoio.

Se, no entanto, a popularidade presidencial vier a se mostrar, como a de todos os políticos, vulnerável às consequências dos maus resultados da economia, veremos novamente o PMDB se dividindo para buscar na seara do PSDB um candidato com maior possibilidade de vitória do que a petista Dilma Rousseff.

Quem saiu derrotado claramente dessa disputa pelas presidências da Câmara e do Senado foi o PT, que já não é uma referência política para Lula, que deve se sentir mais seguro com Sarney do que com o senador Tião Viana.

Não foi à toa que Lula escolheu em seus quadros, mas fora de sua política mais tradicional, a candidata à sua sucessão, impondo o nome de Dilma Rousseff goela abaixo dos petistas.

E se ela não se mostrar viável, é possível que Lula saque da cartola outros nomes, mesmo fora do PT, como o do deputado Ciro Gomes do PSB, ou até mesmo tente patrocinar uma unidade peemedebista em torno do governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

O PT se transformou em um clone do PMDB, afogado no fisiologismo, mas ainda sem dominar completamente suas manhas mais sutis, e já sem aquele manto de pureza que lhe dava um poder político que o PSDB equivocadamente tentou resgatar.

Se o surpreendente apoio tucano ao PT no Senado tiver sido entendido como uma reafirmação do apoio a Michel Temer na Câmara, a extemporânea manobra pode ter resultados colaterais positivos mais adiante.

Uma coisa é certa, porém: o PSDB, mesmo alegando imperativos éticos para apoiar a candidatura natimorta de Tião Viana, não conseguirá se livrar da fama de fisiologismo que o liga aos vencedores do momento: o ex-ministro da Justiça Renan Calheiros; o ex-ministro dos Transportes Eliseu Padilha e seus assemelhados peemedebistas.

Não há possibilidade de se prever com quem estará o PMDB na sucessão de Lula, e isso de repente não terá a menor importância, já que todos os lados na disputa usam as mesmas armas e partem dos mesmos pressupostos, que só incluem a ética política como um penduricalho para atrair os mais desavisados.

Qualquer governo que dependa de um acordo político com esse PMDB que aí está, dentro de um quadro partidário completamente desfigurado, já começa devendo.

Já vai tarde

Revista Veja, Edição 2098, 04/02/2009:

Já vai tarde
O PT resolve expulsar o encrencado deputado estadual Jorge Babu, do Rio de Janeiro

Ronaldo Soares

O deputado estadual Jorge Babu, do PT do Rio de Janeiro, tem uma ruidosa trajetória de fora-da-lei e construiu uma carreira vitoriosa na política. Policial civil, elegeu-se duas vezes como vereador – em 2000 e 2004 – e, em 2006, para a Assembleia Legislativa do estado. A estirpe Babu continua representada na Câmara por Elton, irmão de Jorge, eleito no ano passado, também pelo PT. A ficha corrida de Jorge Babu inclui uma prisão em 2004, numa quadra de briga de galos, junto com o publicitário Duda Mendonça. Dois anos depois, ele foi denunciado pelo Ministério Público, acusado de integrar uma quadrilha que extorquia comerciantes. E, desde o início do ano, responde a processo em que é apontado como chefe de uma milícia que achaca moradores e explora clandestinamente serviços como venda de gás e TV a cabo na Zona Oeste, seu reduto eleitoral. Apesar desse histórico, somente na semana passada o PT resolveu expulsá-lo. Ele ainda pode recorrer.

Na definição do MP, Babu e seu bando são “indivíduos extremamente perigosos”. Mas foi preciso que a iniciativa de expulsá-lo partisse da Executiva Nacional: até este mês, a maior punição imposta pelo diretório regional petista fora um afastamento por sessenta dias. O motivo para a vista grossa vai além da figura intimidadora de Babu, que circula com meia dúzia de capangas a tiracolo. “É impensável que alguém como ele pudesse ser candidato a alguma coisa, mas acordos com grupos de dentro do próprio PT, interessados no apoio dele na Zona Oeste, permitiram isso”, diz o deputado federal petista Antonio Carlos Biscaia, que pediu a expulsão de Babu. Na avaliação do cientista político Gláucio Soares, o gesto do PT reflete uma mudança no jogo de interesse dos partidos com bandidos que dominam currais eleitorais no Rio. “Somente depois de repetidos episódios de violência envolvendo milícias passou a ser inconveniente para os partidos ter gente ligada a esses grupos”, diz Soares.

O caso de Babu é apenas um dos exemplos de como o banditismo se infiltrou na política fluminense. Há políticos presos, como o ex-deputado Natalino Guimarães e seu irmão, o ex-vereador Jerominho, apontados como chefes de uma milícia. E outros que acabam de tomar posse na Câmara de Vereadores, mesmo acusados de ligação com milicianos, como Carminha Jerominho (PTdoB) – que estava presa quando foi eleita – e Cristiano Girão (PMN). Como se vê, a limpeza ainda deixa muito a desejar.

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Nas mãos de Deus