28.11.09

Troféu Barnabé de Ouro

ANDREI BASTOS

A ciência e a tecnologia caminham a passos bem mais largos do que os que as pessoas com mobilidade reduzida por paraplegia, amputação etc. podem dar, no sentido figurado ou não. Desarticulado da perna esquerda como sou, por exemplo, não posso deixar de admitir que a ciência e a ficção científica embalam meus sonhos mais impossíveis de regeneração do meu MIE (sigla médica para membro inferior esquerdo) e que sou fã de carteirinha do Robocop.

Infelizmente, quando acordo ou caio na real, fica evidente que se um dia tal fantasia vier a se tornar realidade, este dia está a milhões de anos-luz da minha curta existência sobre este planeta.

Por outro lado, muitos dos procedimentos burocráticos ou legais da atualidade, que adicionam a essa minha vida tão breve infinitas experiências kafkianas e estressantes, estão presos a um passado longínquo e intelectualmente primitivo. Como justificar, entre outras incontáveis incongruências, que eu seja obrigado a renovar periodicamente o cartão que autoriza o uso das vagas de estacionamento reservadas? Por acaso meu MIE desarticulado pode se regenerar durante o período de validade do dito cujo?

E qual a justificativa para a existência desse mesmo documento, assim como para a de muitos outros, se, no caso dele, já temos as condições da pessoa descritas na carteira de motorista e no certificado de propriedade do veículo?

O raciocínio acima serve para demonstrar a inutilidade do cartão de estacionamento e, em aplicação paralela, para questionar sua apresentação obrigatória e vinculada à gratuidade, como está explicitado nas placas que identificam as vagas. Afinal, não é a necessidade de segurança e acessibilidade que deve prevalecer sobre qualquer outra? E complementarmente, não terá prevalência a condição específica da pessoa, com evidência ou não, pois a habilitação já a descreve?

Pois é, mané, é aí que entra nosso herói, o Super Barnabé! Herói do discernimento e do bom senso, se ele quiser acabar com este cartão terá que enfrentar grande resistência das máquinas burocráticas que precisam justificar sua existência com um mar de documentos e rejeitam tudo o que signifique eficiência e redução de custos.

Precisamos ajudar nosso herói nessa luta, que não deve se restringir à questão das vagas para estacionamento e precisa ser ampliada para tudo que diga respeito à nossa cidadania. No fundo, estes excessivos e diferenciados trâmites burocráticos acabam se constituindo em poderosos fatores de discriminação, além, é claro, dos prejuízos objetivos que representam para uma boa qualidade de vida.

Como medida do nosso grau de civilização, portanto, bem poderíamos instituir o Troféu Barnabé de Ouro, a ser conferido ao administrador público ou legislador que demonstre perspicácia e discernimento em benefício da descomplicação da vida já bastante complicada de muita gente.

Protesto Metrô

*Protesto a favor do Cidadão do Rio de Janeiro*

“Convoco *TODA* a população a protestarmos de uma forma civilizada contra o péssimo serviço prestado pelo metrô. Sempre com atrasos, vagões sem ar condicionado, super lotação e até mesmo sem luz. Alguma coisa tem que ser feita, não adianta mais ficarmos apenas reclamando uns com os outros. Temos que agir.

No dia *30/11/09,* faremos greve de passageiros. Ninguém fará uso do metrô, vamos dar um prejuízo de milhões e chamarmos atenção de verdade das autoridades e responsáveis pelo caos. Já nos sacrificamos todos os dias utilizando este transporte. Então, mesmo que tenhamos que pegar mais condução ou demorarmos mais a chegar em nosso destino neste dia. Precisamos nos mobilizar.

Avise aos amigos, colegas de trabalho, envie e-mails, mensagem de celular, espalhe cartazes para que o maior número de pessoas venham a aderir a esta mobilização. *Juntos podemos mudar. *

*
Proteste no dia 30/11 ou proteste do seu jeito, mas por favor, não se cale !

*
O Metrô chegou com status de transporte de primeiro mundo e hoje… bem hoje eu sugiro que você tome um trem do Metrô as 18 / 18:30h sentido zona norte para entender do que trata esta mensagem. Não há controle sobre a lotação dos carros a não ser aquela velha lei que todos conhecemos sobre dois corpos não poderem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Será ?

Eu não pude fotografar porque estava sem bateria no celular, mas EU VÍ o guarda do metrô empurrando com força para comprimir a galera pra dentro do trem para que a porta fechasse. É isso mesmo, socando as pessoas dentro do trem. Quase não consigo sair do metrô neste dia e quando consegui, a bolsa ia ficando porque eu passei mas a bolsa foi absorvida pela massa reacomodada de corpos.

O que é isso gente !? Raramente uso o Metrô mas percebí que a coisa deu um salto pra pior. O Metrô aumentou o número de trens, todos novinhos, para o seu conforto…Mentira! Retiraram vários bancos pois pessoas em pé ocupam menos espaço. Mais gente apinhada no trem, ganha-se mais dinheiro, ninguém reclama, socamos mais gente, ganhamos mais… e por aí vai até onde a gente permitir.

Por que as pessoas que estão alí todos os dias deixam isso acontecer? Ninguém fala nada além do ” É assim mesmo… ” … como assim é assim mesmo!???

Ví pessoas rindo da cena triste do guardinha comprimindo os passageiros. .. Que povo é esse o nosso que não reclama, não protesta, não se mobiliza ?

Peço desculpas se a minha mensagem incomoda, mas não consigo me calar diante do que ví e ainda agradeço o fato de não ter levado minhas filhas comigo neste “passeio”.*

Renata C. Mendonça”

Os filhos do Brasil

Folha de S. Paulo, 27/11/2009:

Os filhos do Brasil

CÉSAR BENJAMIN
ESPECIAL PARA A FOLHA

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de “boi”; a única água disponível era a da descarga do “boi”. Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.

Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que “estavam pedidos” pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: “O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal”.

Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.

Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes -”sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio”, para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.

Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, “de alta periculosia”, como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.

Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês.
Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de “provas de fogo”, situações armadas para testar a firmeza de cada novato.

Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a “língua de congo”, o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.

Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.

Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.

Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.

Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é “sujeito-homem” e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.

Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.

Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

***

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

***

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal “O Dia”. A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.

Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.

Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: “Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!” Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.

A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.

***
Leia também:
Chefe de gabinete de Lula chama artigo de fundador do PT de “coisa de psicopata”

Coveiros da ditadura

O Estado de S. Paulo, 27/11/2009:

Procuradora aciona Tuma e Maluf por ‘ossadas de Perus’
Denúncia é por ocultação de cadáver de vítimas dos órgãos de segurança

Marcelo Godoy

O Ministério Público Federal entrou ontem na Justiça Federal com uma ação civil pública contra o senador Romeu Tuma (PTB-SP) e o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) por causa de fatos ocorridos no regime militar. Tuma era delegado de polícia e dirigiu o Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops-SP). Maluf foi prefeito de São Paulo de 1969 a 1971. A procuradoria alega que, nesses cargos, eles participaram da estratégia da ditadura de desaparecer com os corpos de presos políticos mortos por órgãos de segurança e enterrados nos cemitérios de Perus, na zona oeste de São Paulo, e de Vila Formosa, na zona leste.

Essa é a primeira vez que políticos e civis são acusados por delitos da repressão política dos nos 60 e 70. Tuma trabalhou no Dops-SP de 1966 a 1983. Dirigiu o Serviço de Informações e foi diretor-geral do órgão. Maluf voltaria à prefeitura em 1993. Além deles, também são acusados na ação o ex-prefeito de São Paulo Miguel Colasuonno (1973-1975), o ex-diretor Fábio Pereira Bueno, do Serviço Funerário, e Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do Instituto Médico-Legal (IML).

Em outra ação, os procuradores pedem a punição de universidades, legistas e peritos que teriam contribuído para que ossadas de desaparecidos achadas em Perus, em 1990, ficassem sem identificação. As duas ações são assinadas por quatro procuradores e fazem parte da estratégia da procuradoria de processar civilmente os suspeitos de crimes da ditadura, driblando, assim, a Lei da Anistia, que impede ações criminais contra os acusados.

A procuradoria quer que os acusados tenham aposentadorias cassadas e sejam condenados à perda das funções públicas. No caso de Maluf e de Tuma, o processo civil não atinge os mandatos dos dois. A procuradoria pede ainda que paguem indenização de até 10% de seu patrimônio pessoal, dinheiro que seria investido em ações de preservação da memória dos crimes ocorridos na ditadura.

A acusação diz que o Dops-SP formalizava as prisões feitas pelo Destacamento de Operações de Informações (DOI), do 2º Exército, e, com ajuda do IML, encobria as mortes. “Temos documento que mostra Tuma informando a um tribunal que um militante estava morto apesar de o Dops ter negado sua morte à família”, disse a procurador Marlon Weichert. O militante era Flávio de Carvalho Molina, morto pelo DOI em 1971 - sua ossada foi achada em Perus e identificada em 2005. Maluf é questionado por ter feito o cemitério de Perus, que tinha “quadras para o enterro de “terroristas”. No caso de Colasuonno, em sua gestão houve a reforma no cemitério de Vila Formosa que destruiu a quadra onde estavam os desaparecidos.

Na segunda ação, os procuradores pedem a imposição de multa de 5% do patrimônio aos legistas Daniel Romero Muñoz ( Universidade de São Paulo), Badan Palhares (Universidade Estadual de Campinas) e Vânia Aparecida Prado (Universidade Federal de Minas Gerais) e aos peritos Celso Perioli e Norma Bonaccorso (Polícia Científica de São Paulo), além da condenação das universidades. “Houve descaso na identificação das ossadas de Perus”, disse a procuradora Eugênia Fávero.

Tempos Modernos em Botafogo


Tempos Modernos em Botafogo

Ele escapou das telas para as fotos, livros, cartazes, camisetas, paredes, portões. Está também em canecas, almofadas, caricaturas, rabiscos, e é até lembrado em pitocos de rua. Fotomontei as duas imagens e me dei conta de que nasceram uma para a outra. Chaplins!

(Foto e texto de Marcus Veras)

Marighella no Rio


Carta Maior, 24/11/2009:

A trajetória de Marighella em exposição no Rio de Janeiro

A Caixa Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 27 de novembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010, a exposição ‘Marighella’, em memória aos 40 anos da morte do guerrilheiro comunista, ícone do combate à ditadura militar no Brasil.

Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz e Vladimir Sacchetta, a mostra traça o perfil e a trajetória de vida de Carlos Marighella com cartas, livros, imagens de arquivo, iconografia variada, depoimentos, além de textos do próprio Marighella.

Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911, filho de pai imigrante italiano e de mãe descendente de escravos africanos. Dono de invulgar inteligência, notabilizou-se por fazer em versos provas de Física e Química no Ginásio da Bahia, onde concluiu o segundo grau. Ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 20 anos iniciou o curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia, tornando-se militante do Partido Comunista em 1933. Todo o resto de sua vida será dedicado à luta dos trabalhadores, à causa da soberania nacional e do socialismo.

Em 1946 foi eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte que se seguira à deposição de Getúlio Vargas. Apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferiu, em menos de dois anos, 195 discursos. Invariavelmente, sua fala era de denúncia das condições de vida do povo e da crescente subordinação do país a interesses internacionais.

Na década de 50, em São Paulo, participou ativamente das lutas populares do período: defesa do monopólio estatal do petróleo, contra o envio de soldados brasileiros à Coréia, contra a desnacionalização do ensino e de toda a economia. Cada vez mais dirigia sua palavra, seu trabalho e suas propostas no sentido da área rural brasileira. Em 1958 redigiu o estudo “Alguns Aspectos da Renda da Terra no Brasil”, abrindo a série de contribuições políticas que elaboraria até 1969. Visitou a China Popular, a União Soviética e, anos depois, Cuba, estudando as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países.

Em 1969 foi apontado pela ditadura como inimigo público número 1 e passou a ser alvo de uma caçada que envolveria diretamente todas as estruturas repressivas montadas pelo regime militar. Na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi surpreendido por uma emboscada de agentes da polícia política sob o comando do delegado Sérgio Fleury e assassinado na Alameda Casa Branca, em São Paulo.

SERVIÇO:

Exposição Marighella

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Livraria

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro (Metrô: Estação Carioca)

Abertura: 26 de novembro de 2009, às 19h (para convidados e imprensa)

Visitação: De 27 de novembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010

Horário: De terça a sábado, das 10h às 22h; domingo, das 10h às 21h

Telefones: (21) 2544-4080 / 2544-1099 / 2544-7666

Entrada franca

Classificação Livre

O desafio da inclusão


PPS DEBATE POLÍTICAS DE INCLUSÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

“O Desafio da Inclusão: Políticas Públicas para as Pessoas com Deficiência” é o nome do seminário que o Diretório Estadual de São Paulo do PPS irá promover no próximo dia 1º de dezembro, a partir das 9h, no auditório Franco Montoro, da Assembléia Legislativa, a pedido do deputado estadual Davi Zaia, presidente regional da sigla partidária.

Cada vez mais as Políticas Públicas de Atenção às Pessoas com Deficiência estão sendo implementadas pelos poderes públicos. Temos uma Política Nacional já relativamente consolidada e sendo implantada. Em São Paulo, com a recém criada Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, também estamos caminhando a largos passos para a implantação das Políticas Públicas em todo o Estado. A tarefa agora é avançarmos na formulação e implantação das Políticas Públicas em cada município, pois é no município que as pessoas com deficiência residem, se relacionam, estudam, trabalham, praticam esportes, freqüentam cinema, teatro, “barzinho”, etc. É ao nível municipal que as Políticas Públicas devem ser consolidadas.

26.11.09

O legado de Brizola


Clara Palavra 11/2009

24.11.09

Formação da Consciência na Maré


Prezados trabalhadores e amigos da REDES,

Na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, às 13h, realizaremos o nosso 3º Encontro de Formação da REDES.

Conversaremos sobre o Processo de Formação da Consciência e receberemos Mauro Iasi, professor da UFRJ e coordenador da turma de formação de Educadores Populares do NEP 13 de maio.

A ideia destes encontros é trabalhar temáticas que nos são caras e também tomar conhecimento das ações que a REDES desenvolve.

Contamos com sua presença e colaboração na divulgação.

O encontro acontecerá no Centro de Artes, Rua Bittencourt Sampaio, 181, Nova Holanda - Maré.

Att,

Viviane Couto e Francine Helfreich

Comunicação da REDES e Setor de Formação da Redes


3104-3276

21.11.09

“Isso é demência”

ANDREI BASTOS

Um capricho do destino fez com que eu conhecesse o abrigo Betel, para pessoas com deficiência, justamente no dia do meu último aniversário, em 28 de setembro. Foi a data que a assistente social Flávia Azevedo, da ONG Projeto Legal, marcou para minha ida à instituição. Hoje eu brinco a sério com Flávia, dizendo que se conseguirmos melhorar a vida dos abrigados do Betel, terá sido o melhor presente de aniversário da minha vida. Eu adotei essa causa.

Flávia me convidou porque participou da audiência pública “Plano Nacional pela Primeira Infância e as Crianças com Deficiência”, realizada em 4 de junho pela Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da OAB/RJ, e ficou conhecendo o verdadeiro potencial de quem equivocadamente é chamado de “deficiente”, assim como minhas posições diante das questões da inclusão social desse segmento.

A luz do dia era forte e o calor de um céu sem nuvens sobre ruas de terra e casas humildes nos levou, meio perdidos naquela malha urbana primitiva, até a construção que se destacava com seu muro branco bem conservado. Fomos recebidos com simpatia e levados para conhecer as instalações, todas limpas e cuidadas suficientemente. Os abrigados, na maioria encaminhados por instâncias do poder público, compunham um grupo de 35 adultos e outro de 15 crianças e jovens de até 18 anos, separados em dois alojamentos com dormitórios femininos e masculinos.

As conversas que tivemos com administradores e com algumas das funcionárias nos revelaram que o lugar sobrevive de parcos recursos públicos e doações de pessoas físicas e jurídicas, entre as quais se destaca uma escola de samba que doou até uma máquina de fabricar fraldas, e que a equipe, de aproximadamente 60 pessoas que se alternam no trabalho, é formada por voluntários que recebem apenas uma ajuda de custo e não tem capacitação para lidar com pessoas com deficiência.

Diante do grupo de crianças e jovens com variadas deficiências que se espalhava pela varanda do alojamento depois do almoço, sem atividade em curso ou prevista e com expressões meio apagadas de quem está sob o efeito dos psicotrópicos prescritos pelo psiquiatra voluntário, perguntei à funcionária que nos acompanhava se um determinado menino, que emaranhado nas próprias pernas e braços batia a cabeça no chão, teria sido diagnosticado como paralisado cerebral. Ela respondeu que não, que “isso é demência”.

Quando levei o caso adiante, algumas pessoas acharam que seria necessário denunciar e acionar o Ministério Público para interditar o local, que não passaria de um depósito de gente. É verdade que o lugar é isso mesmo, mas diante da argumentação de que se aquelas pessoas com deficiência não estivessem ali, sob um teto, com roupa, comida e uma cama para dormir, estariam sujeitas a maus tratos ou abandonadas nas ruas pelas próprias famílias, e que o correto seria direcionar os sentimentos de caridade e humanidade, que movem administração, equipe e doadores, para capacitação de pessoal e conscientização da questão real da pessoa com deficiência, todas concordaram em não cometer nenhuma “demência”.

Porém, o que mais preocupa nessa história é o fato de que estamos falando de Duque de Caxias, o segundo município mais rico do Estado do Rio de Janeiro e sexto do país, praticamente um subúrbio gigante da Cidade Maravilhosa. Diante disso, torna-se imperioso que trabalhemos para levar o processo de inclusão social das pessoas com deficiência para o interior, pois o que não existirá de medieval em matéria de inclusão nos municípios mais distantes e nos grotões do país? Além disso, como podemos aceitar que essas crianças e jovens e muitos outros iguais a eles, que nunca receberam nenhum estímulo para seu desenvolvimento cognitivo, muito ao contrário, sejam abruptamente colocados numa sala de ensino regular, por força de uma canetada? Isso não é inclusão social ou educação inclusiva, isso é demência.

***

Leia também:

Estamos no mesmo barco

Regra e exceção

Que inclusão é essa?

PCD no Brasil

Resolução CNE/CEB nº 04/2009

Nosso Povo - IBGE

20.11.09

Vida em Movimento

Série “Vida em Movimento”

Reapresentação – de 30 de novembro a 5 de dezembro de 2009, às 8h

Com o objetivo de comemorar o Dia Internacional de Luta das Pessoas com Deficiência, comemorado dia 3 de dezembro, a TV Cultura reprisa 6 programas da série “Vida em Movimento”, dada sua excelente repercussão.

A programação da TV Cultura é retransmitida por muitas emissoras, em todo o País, às vezes em horários diferentes. Fique atento.

Os programas mostram atividades físicas, educação, trabalho, esportes adaptados, recreação, acessibilidade e tecnologias assistivas, sempre do ponto de vista da inclusão. Os professores encontrarão recursos pedagógicos e alternativas práticas para a inclusão da criança e do jovem com deficiência na escola e em outros ambientes da sociedade. Muitos vídeos mostram a prática de esportes, atividades físicas, jogos e brincadeiras por crianças e jovens com vários tipos de deficiência. O objetivo é capacitar educadores de todas as áreas e em especial os professores de Educação Física, para que recebam esses alunos em suas aulas, com tranqüilidade e segurança, possibilitando o exercício da inclusão e não da “dispensa da aula”.

Os programas são apresentados por Dudu Braga, filho do cantor Roberto Carlos e que tem deficiência visual.

O “âncora” dos vídeos é Willian Coelho, o Billy, um jovem cadeirante muito comunicativo.

Os programas “Vida em Movimento” são adaptados de série de vídeos com o mesmo nome, produzidos pelo Departamento Nacional do SESI (Serviço Social da Indústria) e CNI (Confederação Nacional da Indústria) e realizados em parceria com o Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, responsável pela concepção e coordenação de conteúdo.

Cada programa, que ocupará 30 minutos na grade da TV Cultura, contará com janela de Libras (língua brasileira de sinais) e com um recurso ainda pouco conhecido no país, a audiodescrição - em que um locutor narra detalhes das cenas que não têm narração ou diálogos.

Os programas interessam a todos os telespectadores, e não apenas aqueles com deficiências. Segundo Gabriel Prioli, Coordenador de Conteúdo e Qualidade da Fundação Padre Anchieta, “Todos devem ser informados de que a atividade física é possível e recomendável para pessoas com deficiência, sempre de forma inclusiva, seja nas aulas de Educação Física, seja nos esportes adaptados. O processo de inclusão veio para ficar. É exatamente isso que queremos mostrar aos nossos telespectadores”, disse.

O programa Vida em Movimento, parceria da TV Cultura com o SESI, contou também com o apoio da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que deu orientações sobre aspectos do conteúdo e da linguagem utilizada em cada edição.

Geraldão virou nome de rua

Por: Assessoria do parlamentar

Por iniciativa do vereador Stepan Nercessian (PPS), no último dia 14 de novembro, o líder operário Geraldo Rodrigues dos Santos, conhecido com Geraldão, deu nome a uma rua no bairro do Anil, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, que passou a se chamar Rua Geraldo Rodrigues dos Santos.

A solenidade de descerramento da placa contou com a presença do secretário-geral do PPS, Rubens Bueno, representando a direção nacional do PPS, do presidente do PPS-RJ, deputado estadual Comte Bittencourt, do procurador da Alerj, Marcello Cerqueira, além dos dirigentes Givaldo Siqueira, Roberto Percinoto, Armando Sampaio, Professor Lincoln Penna, José Raymundo, Terezinha Pessoa, Luiz Antonio Martins (Gato), Sérgio Moraes, Zelda Torres, Chico Aguiar, os filhos Vanderlei, Vanderli, a viúva Vicentina dos Santos (Vivi), além de outros familiares. Destacou-se também a presença dos sindicalistas Eliseu, 90 anos, e Jair Simões, 98 anos.

Após a cerimônia a data foi comemorada com feijoada e música no Retiro dos Artistas.

Perfil

Geraldo Rodrigues dos Santos, o Geraldão, nasceu em São José do Rio Pardo (SP), em 1/7/1923. Ainda criança foi viver em Santos, onde ainda jovem tornou-se portuário, destacando-se nas décadas de 40/50/60 como líder do movimento operário.

No início da década de 40 ingressou nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro (PCB), onde rapidamente transformou-se em dirigente local, estadual e nacional.

Em 1962, foi candidato a deputado federal pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sendo o candidato mais votado em São Paulo com 42000 votos, porém foi impedido de tomar posse por ser comunista.

Em 1964, para fugir da perseguição da ditadura passou a viver na cidade do Rio de Janeiro e a partir de 1970 dirigiu o Partido Comunista Brasileiro no antigo Estado da Guanabara, permanecendo à frente do mesmo até 1980.

Por sua atitude coerente e combativa na luta contra a ditadura e em defesa do PCB, Geraldão recebeu várias homenagens, entre as quais, destacam-se o título de Cidadão Carioca e a Medalha Pedro Ernesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o título de Cidadão Fluminense e a Medalha Tiradentes.

Em janeiro de 1992, Geraldão participou do X Congresso do PCB que produziu várias reformulações políticas e a sigla passou a ser denominada PPS – Partido Popular Socialista.

“Geraldão dedicou sua vida a luta pela democracia e pelas causas da igualdade social. Foi uma perda inestimável de um camarada fiel”, destacou Stepan.

Grande incentivador do mandato do vereador Stepan Nercessian, Geraldão integrou o gabinete do parlamentar em seu primeiro mandato. Após lutar seis meses contra um câncer, faleceu no dia 30 de novembro de 2006.

19.11.09

Lula, o filme sem acessibilidade

Blog da Audiodescrição, 18/11/2009:

“Lula, o filme” - Falta de Acessibilidade Causa Constrangimento na Abertura do Festival de Cinema de Brasília

O início da sessão foi marcado pela reclamação de representantes do governo do Distrito Federal pelas restrições da produtora do filme. O diretor Fábio Barreto não permitiu que o filme fosse liberado antes para a inclusão de legendas para os deficientes auditivos nem adaptado com a audiodescrição para os cegos.

(Saiba mais)

Comunicações, Desenvolvimento e Convergência de Mídias

Comunicações e Desenvolvimento em Tempos de Convergência de Mídias

23, 24 e 25 de novembro, no BNDES, Rio de Janeiro

Favorecer um profundo debate sobre a indústria da comunicação é o principal objetivo deste seminário, promovido pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, nos dias 23, 24 e 25 de novembro. Durante os três dias de evento, especialistas nacionais e estrangeiros irão tratar de temas como o controle e a reconfiguração sócio-produtiva do setor e suas consequências para o Brasil e para toda a América do Sul.

No contexto da globalização, as empresas que operam no mercado de informação serão desnacionalizadas ou será possível a implementação de políticas públicas que as defendam e as fortaleçam? As comunicações devem atender a quem? Não seria a hora de democratizar e universalizar? Estes e outros questionamentos estão na ordem do dia, em função da aproximação da Iª Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada no próximo mês, em Brasília.

O Seminário Internacional Comunicações e Desenvolvimento em Tempos de Convergências de Mídia tem como público alvo economistas,estudantes, professores, ativistas sociais e profissionais do campo dacomunicação.

Coordenação: Professor Marcos Dantas (UFRJ)
Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento
Auditório Reginaldo Treiger – BNDES - Av. República do Chile, 100, Centro, Rio de Janeiro.

Inscrição obrigatória:
seminario@centrocelsofurtado.org.br
Envie: Nome, instituição, telefone e e-mail.
Telefones: +55 (21) 2172-6313/ 2172-6312

Direitos Humanos na AL e Operação Condor

SEMINÁRIO DIREITOS HUMANOS NA AMÉRICA LATINA E OPERAÇÃO CONDOR

Dia: 26 de novembro de 2009
Horário: 18h30m
Local: Plenário Evandro Lins e Silva, OAB/RJ
Palestrante: Martin Almada

Patrocinadores:
- Casa da América Latina
- OAB/RJ
- Associação de Juízes para a Democracia
- Sindipetro/RJ
- Centro de Estudo Antonio Carlos de Carvalho

Currículo do palestrante:
- Jurista paraguaio
- Premiado pela ONU
- Preso político pela ditadura Strossner
- Descobridor da documentação secreta da Operação Condor de todas as ditaduras da América Latina

15.11.09

Estamos no mesmo barco

ANDREI BASTOS

O Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro (Comdef-Rio) promoveu uma reunião aberta para debater a educação inclusiva carioca. Com a casa cheia, os anfitriões lamentaram a ausência de representantes do Executivo convidados na mesa, que precisou ser recomposta às pressas, de improviso.

Ainda mantendo a temperatura alta das justificadas preocupações maternais de quem não quer ver seus filhos prejudicados por canetadas insensíveis à sua luta insana e cotidiana para educá-los, a reunião começou sem o foco necessário na Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) 04/2009, motivo de toda a celeuma, e, como ocorreu na audiência da Câmara dos Vereadores, também se desperdiçou o tempo e a energia do público, que outra vez perdeu a oportunidade de participar de uma discussão mais objetiva e construtiva.

Finalmente, quando o calor das emoções deu uma aliviada, foram apresentadas as poucas críticas ao documento do CNE. A mais importante, talvez a única procedente, aponta para a ausência do financiamento de matrícula exclusiva no Atendimento Educacional Especializado (AEE) no Parágrafo único do Art. 8°, necessário para os casos representados pelas mães presentes à reunião.

Em outras palavras, embora a Resolução do CNE determine o atendimento educacional especializado de forma adequada para a maioria das pessoas que necessitam dele, não podemos fechar os olhos à realidade, tanto das crianças ou adultos com as chamadas deficiências intelectuais com alto grau de comprometimento que estavam representados pelas suas mães, que eram maioria na reunião e prestaram depoimentos pungentes, como de casos mais graves ainda, acrescidos de mazelas sociais, que sabemos existir não muito longe de nossas casas e que não têm menos direitos, mesmo sendo minoria no cômputo geral.

O que a aflição das mães mobilizadas para lutar por uma educação adequada para seus filhos não pode provocar é a renúncia à educação inclusiva e a perda de uma perspectiva geral, que situa corretamente as exceções que elas representam, registradas no Censo 2000 do IBGE com o número de 2.844.937 pessoas com deficiência intelectual, ali ainda denominada “mental”, no total de 34.580.722 ocorrências de deficiências no país, número superior aos 24,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, já que muitas declararam possuir mais de uma deficiência.

Se ainda considerarmos que entre estes menos de três milhões de brasileiros, apontados pelo IBGE como “deficientes mentais”, a maioria não tem comprometimento que impeça matrícula em classe comum, a exceção fica mais exceção ainda, embora isto não signifique que mereça menos atenção ou tenha menos direito.

Precisamos acabar imediatamente com a idéia de que existem campos opostos nessa discussão da educação inclusiva, carioca ou não, assim como com a de que é preciso contemporizar antagonismos, que só existem na cabeça de quem acredita ganhar alguma coisa com isso, seja voto ou simples projeção política no segmento. Estamos no mesmo barco e só é preciso colocar os pingos nos is, o que certamente a mobilização dessas mães, nos fóruns que aconteceram e nos que virão, será suficiente para fazê-lo, sem precisar recorrer às ações judiciais propostas na ocasião.

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Leia também:

Regra e exceção

Que inclusão é essa?

PCD no Brasil

Resolução CNE/CEB nº 04/2009

Nosso Povo - IBGE